quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

NOVO ANO... MAIOR SAUDADE!

Que o Novo Ano seja de Paz... com Saúde... com Alegria...
Que os Amigos de Moçambique sintam a fraterna Amizade...
... e sintam que estamos presentes na Saudade que nos ficou !

sábado, 12 de dezembro de 2009

CUAMBA... NOVA FREIXO...NIASSA...SAUDADE!!!
A todos aqueles que habitualmente acedem este blog, que o Ano 2010 vos traga todas as venturas. !!!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Advento - tempo de reflexão do Natal.


"O Povo que vivia nas trevas viu uma grade luz,".

É esta grande luz (Jesus Cristo, Luz do mundo) que todo o cristão se prepara para receber.
O tempo do Advento é o tempo de preparação, de conversão, do reconverter do coração para a vinda de Deus, que se fez homem encarnando num menino, nascido na humildade de uma estábulo, que nos preparamos para receber.
Como São Paulo, também nós abrimos os nossos corações a uma nova esperança.
Paulo vivia completamente "agarrado" à Lei de Moisés, mas ao fazer a descoberta de Cristo adquiriu uns olhos novos, uma maneira nova de ver e viver a sua vida com Cristo e para Cristo.
Um dia, quando seguia a caminho de Damasco, resplandeceu uma grande LUZ e nele - Paulo - tudo se transformou, tudo mudou, pois descobriu que o Jesus morto estava VIVO... e a partir daí, a vida de S. Paulo passou a ter outro sentido, a ponto de tudo largar e se tornar no maior e o mais fervoroso anunciador da grande novidade, da FORÇA do EVANGELHO.
Deverá ser neste sentido a nossa caminhada no Advento que vivemos, orientada para reconhecer, receber e ser Luz com S. Paulo. na comunidade em que se insere... mas muito especialmente na família.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

UM IMPERATIVO DE CONSCIÊNCIA

Igreja de Mecanhelas
Fevereiro de 1974 foi uma data que ficará indelével na história de Moçambique. Perante as injustiças que se vinham verificando, a Igreja Moçambicana tomou posição... e de que maneira.
Eis alguns extractos do documento que originou a expulsão de um grupo de combonianos a trabalhar em Nampula e do bispo da diocese:
«…nós, Missionários Combonianos da Igreja de Moçambique, em união com o nosso bispo, interrogamo-nos profundamente sobre a autenticidade do nosso testemunho missionário e o significado da nossa presença no meio do povo de Moçambique.
Enviados para anunciar o Evangelho de Cristo, sentimos que este anúncio não pode ser levado integralmente a este povo que nos espera, não tanto por causa de um condicionalismo político que nos impeça de anunciar Cristo, mas sobretudo pela renúncia da Igreja em assumir a sua missão profética e libertadora, que lhe compete por direito divino, perante os acontecimentos e a vida deste povo, que julgamos profundamente impedido de crescer fiel à sua história.
Não querendo partilhar da cumplicidade desta Igreja que colabora, talvez inconscientemente, no manter desta situação contrária ao Evangelho de Cristo, e não podendo protelar mais a resposta às interrogações deste povo, sentimos a necessidade de tomar uma decisão segundo a nossa consciência e em conformidade com o autêntico Evangelho de Cristo e as orientações da Igreja universal.
Neste sentido e com esta finalidade, passamos a expor os problemas e as situações que, em nosso entender, debilitam a Igreja e a tornam um contratestemunho para o povo de Moçambique, e a anunciar as decisões que, em consciência, julgamos dever tomar.»
Para os subscritores do documento, os problemas e as situações são as seguintes:
«A Igreja renunciou ao seu múnus profético: 1º não reconhecendo que o povo moçambicano tem o direito que lhe é conferido por Deus à sua própria identidade e a construir por si mesmo a sua história. 2º Não proclamando e não defendendo suficientemente os direitos fundamentais do homem (direito ao desenvolvimento, direito de associação e livre expressão, direito à informação). 3º Não desmascarando um sistema socioeconómico que tem o lucro como objectivo primário. 4º Não iluminando acontecimentos graves, tais como a guerra e suas consequências.
A Igreja torna-se assim um contratestemunho: 1º Nas relações com o Poder constituído. 2º Na sua missão evangelizadora dos povos (continua bastante alheia às realidades africanas nas suas estruturas e nos seus responsáveis; apresenta-se muito clerical e paternalista; os bispos não têm defendido publicamente a missão do missionário quando posto em causa pelo regime constituído).
Depois de terem pedido à hierarquia uma série de medidas a fim de a Igreja se tornar «um sinal mais autêntico de salvação», os Combonianos decidem com o seu bispo: a) orientar a evangelização e a catequese de modo a revelar o mistério total de Cristo e procurar discernir os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho, ajudando este povo a descobrir os planos de Deus a seu respeito; b) continuar a rever as estruturas das missões de modo que sirvam cada vez mais o povo e apareçam como testemunho do amor de Deus do qual a Igreja deve ser sinal; c) renunciar aos subsídios concedidos pelo Governo ao pessoal missionário; d) entregar, a partir do próximo ano lectivo, as escolas do ensino primário, dado que os actuais programas conduzem à alienação deste povo dos seus verdadeiros e autênticos valores, comprometendo-se porém a continuar a trabalhar pela promoção do povo, pela formação profissional e desenvolvimento comunitário.
Esta reflexão e consequentes resoluções foram tomadas em conjunto por todos os missionários combonianos da diocese de Nampula, com o seu bispo, e comunicadas à Conferência Episcopal de Moçambique por intermédio do seu presidente. Das mesmas será dado conhecimento à Secretaria de Estado do Vaticano, aos missionários e ao povo de Deus. Nampula, 12 de Fevereiro de 1974»

A reacção dos bispos de Moçambique e das autoridades foi enorme, como é de calcular!

domingo, 1 de novembro de 2009

O DIA DE TODOS OS SANTOS

- HOJE É DIA DE TODOS OS SANTOS! DELES SE DIZ:
"- BEM-AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO, PORQUE VERÃO A DEUS.
- BEM-AVENTURADOS OS PACÍFICOS, PORQUE SERÃO CHAMADOS FILHOS DE DEUS.
- BEM-AVENTURADOS OS PERSEGUIDOS POR AMOR DA JUSTIÇA, PORQUE DELES É O REINO DOS CÉUS."

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Subsídios para a História moçambicana - II

No momento em que decorrem eleições em Moçambique, às quais concorre, corajosamente, um filho do Reverendo Urias Simango, assassinado pela FRELIMO no dia 25 de Junho de 1977, gostaria de recordar aqui a forma cobarde como aconteceu mais este atentado à democracia que havia sido "prometida" a um Povo mártir, que apenas anseia por viver a sua liberdade em paz.
Depois dos "julgamentos" acontecidos em Nachingweia no mês de Março de 1975, em que os réus foram condenados a uma pena que nem sequer constava dos Códigos Penais em uso no País, como é o caso da pena de REEDUCAÇÃO, os condenados foram sendo "transferidos" para Moçambique, para o Centro de "Reeducação" de M'teleia, no distrito de Majune.
Foram mais de 200 prisioneiros, apelidados pela FRELIMO como "GRUPO dos REACCIONÁRIOS", entre os quais se contava o Reverendo Urias Simango, Paulo Gumane, Lázaro Kavandane, a Drª. Joana Simeão, o Dr. Arcanjo Faustino Kambeu, Júlio Razão Nihia e Adelino Guambe, entre tantos outros, que para ali foram em Novembro de 1975.
Para o mesmo Centro de "Reeducação" de M'teleia, instalado no antigo quartel do Exército Português de Nova Viseu, cujo director era um veterano guerrilheiro da Luta Armada de Libertação Nacional, que havia sido "recrutado" na Zâmbia, foram igualmente enviados o Padre Mateus Pinho Gwenjere e Raúl Casal Ribeiro, que havia sido adjunto do Comandante Filipe Magaia, até ao momento em que, por causa do assassinato deste, resolveu abandonar a FRELIMO e radicar-se no Norte da Tanzânia, juntamente com a família.
Sabe-se que o governo da Tanzânia, acedendo a um pedido de Samora Machel, prendeu Casal Ribeiro e entregou-o à FRELIMO.
O comandante do campo tinha fama - e o proveito, acrescente-se - de ser um homem cruel, sendo o homem certo, na convicção dos dirigentes da FRELIMO, para tomar conta de pessoas de antemão destinadas a morrer extrajudicialmente, porque estes como muitas dezenas de outros cidadãos moçambicanos eram "perniciosos" para as ambições dos novos senhores do País.
Dos cerca de 1.800 prisioneiros que passaram pelo famigerado Centro de Reeducação, não chegaram a uma centena aqueles que escaparam com vida.
Os chamados "reaccionários" foram colocados em celas individuais, onde apenas duas vezes por semana lhes era permitido vêr a luz do dia, o que acontecia entre as 8 e as 11 horas, devidamente acompanhados por sentinelas fortemente armadas. Comiam, dormiam, faziam as necessidades dentro da cela. Aos Domingos, apenas dois prisioneiros eram autorizados a receber a visita das esposas. Eram estes o Revº. Urias Timóteo Simango, que recebia a esposa Celina durante 15 minutos, e Raúl Casal Ribeiro, que podia estar o mesmo tempo com a esposa Lúcia Tangane. Os outros prisioneiros apenas podiam contactar a família através de carta... que era devidamente censurada antes de seguir o destino, pois não podiam sequer mencionar o local onde se encontravam. Podiam dizer apenas que estavam num Centro de Reeducação, sendo tolerado, tempos depois, que nomeassem a Província do Niassa.
Os homens da SNASP, afectos ao governo provincial do Niassa, tratavam de abrir toda a correspondência que entrasse ou saísse do Centro. Por vezes, certamente por descuido, lá ia uma carimbadela a denunciar o governo da Província do Niassa. Era como se fosse uma franquia aposta no correio.
- CONTINUA -

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Subsídios para a História moçambicana

O Reverendo Urias Simango e a família
Conheci o Revº. Urias Simango e a Drª. Joana Simião em Nampula, nos anos 70. O Reverendo Simango era uma pessoa afável, generosa e um grande exemplo de Moçambicano que amava a sua terra.
Residia o Revº. na cidade da Beira quando a FRELIMO, no dia 11 de Outubro de 1974, enviou alguns oficiais daquele Movimento procurarem o Reverendo na sua residência para o prenderem, mas chegaram tarde porque o Presidente do Partido de Coligação Nacional - PCN - havia abandonado o território Moçambicano poucas horas antes.
Sem saber o que se estava a passar no seu País, a Drª. Joana Simião desembarcou no Aeroporto da Beira no dia 26 de Outubro. Nessa mesma noite foram dois Oficiais do COPCON buscá-la sob prisão à casa do secretário do PCN e conduziram-na ao Administrador Ahmed Haider, na Ponta Gêa. Também foi preso, na Beira, o secretário do PCN para as Relações Exteriores, Arcanjo Faustino Kambeu.
Na mesma altura, na Suazilândia, dois agentes da Polícia Secreta da FRELIMO tentam raptar o secretário para a Organização do PCN, Manuel Lisboa Tristão, mas este, alertado por alguém, conseguiu despistar os seus perseguidores e atravessar a fronteira em direcção a Joanesburgo, de onde seguiu para Nairobi.
O Departamento de Segurança da FRELIMO - DS - estabeleceu entretanto que o Revº. Simango deveria encontrar-se em Nairobi, para onde já havia seguido o Padre Mateus Pinho Gwenjere, conselheiro nacional do PCN. Estes factos não levaram à desistência da FRELIMO dos seus intentos, pelo que procurou reunir o máximo número de oponentes seus para fazer a sua apresentação pública em Nachingweia no mês de Abril do ano seguinte
Aliciando o director do Special Branch do Malawi, Focus Martin Gwede, a FRELIMO veio a conseguir que este director organizasse a ida de Urias Simango a Blantyre a uma reunião de alto nível que ali iria decorrer. O director Gwede contacta o ministro do Trabalho do Malawi, Albert Muwalo Nqmayo e coloca-o ao corrente da situação. O ministro envia uma carta ao Reverendo Simago, através da Embaixada do Malawi em Nairobi, informando o presidente do PCN que o governo do Presidente Hastings Banda estaria disposto a mediar um encontro entre ele e a FRELIMO, ao qual já dera o seu aval.
Repare-se que a prisão da Drª. Joana Simião foi efectuada por Tropas Portuguesas. Eu era Militar em Comissão de Serviço e muitas vezes me perguntei o porquê de tal prisão. Como conclusão apenas posso dizer que por aqui se vê até que ponto Otelo Saraiva de Carvalho é réu de sangue em todo este processo, para lá de outros relacionados com as FP-25. Coisas da vida revolucionária, dirão alguns!... SERÁ? Na próxima aprofundarei mais um pouco este assunto, que de tão sórdido ainda não o consegui ultrapassar... pois o sangue de muitos inocentes continua a clamar por justiça.
- CONTINUA-

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Histórias de guerra em Moçambique

Uma mina... anti-pessoal... anti-vida!
O SOL VAI ALTO NA PICADA DE OMAR

"Está frio. Não é raro em Mueda. O cacimbo matinal e a farda suja que vesti depois do banho criam-me um mal-estar geral. Mas estranhamente o frio não me incomoda, talvez porque a água, que também estava suja, apenas tenha servido para substituir o suor nocturno por uma substância desconhecida de cor esverdeada. Devo ter uma fina camada de lama a proteger-me a pele.Ao longe os soldados em redor das Berliets parecem insectos atarefados em volta de um objectivo difícil de identificar.
Acendo um "Caravela", colho da ponta da língua um fiapo de tabaco com o dedo anelar, numa delicadeza ritual e reparo que os insectos se alinham, à voz de comando, formando grupos rectangulares e quando conseguem uma forma razoavelmente regular, dispersam novamente. Há qualquer coisa de despropositadamente infantil na ordem-unida.
Ainda não é bem dia, a luz húmida da manhã mal rompe o cacimbo que torna as formas esborratadas, como se estivéssemos numa sauna. Saí para a rua há minutos e estou todo encharcado. Finalmente junto-me aos insectos e transformo-me num insecto também.O condutor benze-se antes de subir para a Berliet ao mesmo tempo que se certifica que os sacos de areia estão nos sítios certos. Não custa nada tomarem-se as medidas de segurança todas quando se vai para a picada de Omar, embora aquele sinal-da-cruz, maquinal e apressado, me pareça um esforço insuficiente para atrair o olhar de Deus. Será que a guerra não é motivo suficiente para Deus ver este grupo de soldados a ir ao encontro das emboscadas e das minas e precisa de um sinal breve de aviso ao mesmo tempo que se ajeita a blindagem dos sacos de areia?
As viaturas partem sem pressa, ronceiras, e à saída de Mueda abrandam à medida que passam á frente de uma árvore onde alguém pendurou uma tábua que diz: "Reduz o perigo das minas para metade – vai ao pé-coxinho!", depois arrancam de novo, acelerando um pouco de mais, a denunciar irritação, como se o humor negro, típico em Mueda, hoje parecesse um tanto estúpido.Levanto-me para tirar um diapositivo ao nascer-do-sol.
Os raios de luz parecem projectores, riscando o cacimbo, como se por detrás daquelas árvores tivesse havido um arraial a noite inteira…Agora já o sol vai alto e caminhamos sobre a picada entre dois castigos: o sol por cima e o pó por baixo. Dois castigos que nos fazem esquecer um pouco a omnipresente ameaça das minas.
Sigo o desenho nítido das pegadas dos soldados que me precedem, que faço os possíveis por decalcar, sobrepondo-lhes as minhas próprias pegadas, no pó tão fino como talco. Faz lembrar-me o Largo do Sobreirinho, na minha aldeia, onde no Verão, o chão fica coberto de um pó como este. Eu sou do Largo do Sobreirinho como outros são de uma cidade. A pouco e pouco a memória daquela planura térrea sobrepõe-se à visão da picada. O que vejo agora é o largo da minha terra e as tardes de futebol da minha infância. O pó era um afago para os pés, que nos entrava pelas sandálias até aos tornozelos e nos pulverizava a roupa com um tom suavemente ocre a que a minha mãe chamava sujidade. O Largo do Sobreirinho, onde terei que reaprender a caminhar para não acabar a perseguir os transeuntes, decalcando-lhes as pegadas, com medo de perder as pernas.
Não sei o que aconteceu! Algo me atirou ao chão. Não ouvi nada, mas os ouvidos doem-me como se apenas o eco de um estampido sinistramente familiar permanecesse na minha cabeça. Na guerra, quando aconteceu algo e não se sabe o que aconteceu, aconteceu uma desgraça. Não ouvi nada, porque o impacto da explosão, que senti no corpo todo, deve ter chegado primeiro que o som. À minha frente um corpo contorce-se no chão numa posição anormal. Coberto de pó e com a parte inferior desfeita, como que dissolvida no próprio chão ou como se um animal selvagem a tivesse abocanhado. Não há sangue, o pó projectado pela explosão deve ter obturado os vasos sanguíneos e o que resta dos membros faz lembrar as tiras da pele de uma banana semidescascada. A MG 42 tombada a seu lado diz-me que é o Lemos. Não grita nem geme, o corpo convulsiona apenas. Os olhos ampliados pelo pânico, fitando-nos em busca duma realidade que desminta o pesadelo; em busca da razão que desminta a insanidade. E nós, repentinamente estupidificados pela impotência, olhamo-lo com o pânico dele reflectido no nosso olhar, mudos e parados como se tivéssemos congelado. Eu acabo por auxiliar maquinalmente o enfermeiro à medida que ele me diz: − "Chegue-me aquilo". − "Pegue aqui". − "Segure ali". O sol vai alto na picada de Omar. Não há razão nenhuma para Deus não ver o que se passa. Onde está Deus quando acontecem desgraças? Onde está Deus, o omnipresente deus, hoje que o cabo Lemos pisou uma mina? Não está de certeza aqui na picada de Omar."
História verídica de autor anónimo

domingo, 23 de agosto de 2009

NOVA FREIXO - NIASSA - MOÇAMBIQUE

A primeira vez que ouvi falar do Niassa, de Moçambique, foi quando frequentei a escola primária, nas aulas de geografia. Nesse tempo ainda se não falava de Nova Freixo, talvez porque se trataria de uma povoação sem grande expressão, um entreposto onde o combóio para Vila Cabral aproveitava para fazer o abastecimento de água e lenha ou carvão, nos tempos das velhas máquinas a vapor, que demoravam uma vida a percorrer os caminhos que, vindos da Beira distante, transportavam pessoas e bens até à Capital do Niassa, depois de o haver feito noutras estações e apeadeiros que se encontravam no seu percurso.
Na escola não nos sabiam dizer como eram aquelas terras, porque apenas se sabia que eram terras onde havia uma riqueza ímpar em fauna e flora, em madeiras exóticas e ricos minérios no subsolo... não faltando nestes as maravilhosas pedras semi-preciosas, de qualidade superior, que faziam as delícias dos "garimpeiros", fossem estes de ocasião, que tiveram sorte, ou profissionais competentes que tiravam das minas riquezas e estatuto.
As minas, as opalinas, as granadas ou as esmeraldas eram por demais cobiçadas, e muitos faziam delas a sua razão de viver, não lhes importando se os "machambeiros" tinham mais ou menos apreço por aqueles que se dedicavam à prospecção destes minérios, porque estes procuravam ganhar o pão trabalhando árduamente aquelas terras vermelhas cujo pó, muito fininho, mais parecia talco que houvesse mudado de cor, lhes entrava pelas narinas, pela boca, pelos olhos... e os sufocava de uma forma terrível, especialmente quando o calor se fazia sentir, a humidade se entranhava na pele e nós, a testa pejada de suor, parecia que andavamos a brincar ao Carnaval fora do tempo! Trabalhavam ou MANDAVAM que alguém trabalhasse por eles...
Valia bem a pena estar a tomar banho para limpar a poeira! Esta estava no ar, em suspensão, e ia cumprindo a sua missão... voltava-se a ir para o chuveiro uma, duas, três... dez vezes, mas o pó continuava a fazer das suas... a sufocar... a "pintar" de vermelho o rosto de quem andava na rua, trabalhando, brincando ou passeando!
Com o andar dos tempos, o conhecimento das coisas foi mudando... as notícias de Moçambique chegavam à Metrópole distante e sabiam-se mais coisas sobre aquelas terras... mas ninguém contava a ninguém que as terras do Niassa eram em absoluto terras por desbravar, onde as estradas não passavam de uma pista de aventuras, como se fosse uma pista de terra preparada para um qualquer raly.
Ouvira falar no Paris-Dakar, que era corrido no deserto... mas podia muito bem acontecer no Niassa, pensava cá para comigo, mesmo sabendo que a savana Moçambicana era muito diferente da paisaigem que se via nos desertos da Mauritânia, do Tanganica, do Namibe, de Moçamedes... ou do Saara.
No entanto... as acácias e as mangueiras sempre iam dando sombras a Nova Freixo... e não muito longe havia uma colossal mancha verde, que eram os campos de chá de Vila Junqueiro, onde se encontravam os montes Namuli e Li-Cungo, que davam nome aos afamados chás da Companhia da Zambézia. Ali a terra não era vermelha, porque o verde pintava toda a vasta região do Gurué.
Repare-se na fotografia acima inserida: No meio do verde das mangueiras e abacateiros, a casa colmada de alguém que nem saberá a sorte que tem por ter sombras naturais em tal profusão.
Contra tudo e contra todos... Nova Freixo é uma saudade que me ficou!

terça-feira, 28 de julho de 2009

De Bréscia e mártir em Moçambique

Nos meus anos de África, talvez tenham sido os momentos mais tristes que por lá passei aqueles em que me vi privado de Amigos de verdade. O Padre Guerrino Prandelli era um desses Amigos e foi um dos Homens que me emocionou pelo modo desprendido como colocava a sua relação com Deus e com os Homens.
"Estou bastante feliz por ser sacerdote - escreveria ele pouco antes da chegada ao fim da sua vida - Gosto de trabalhar arduamente nestes tempos difíceis. Numa época em que o padre está fora de moda, para um jovem como eu se tornar "público", necessita fazer parte de um "desafio global", mais profundo: o do amor ". Guerrino Prandelli nasceu em Brescia, no ano de 1943. Tinha a idade de 12 anos quando, em resposta ao apelo da sua religião, entrou para a casa do 'Apostólica Baveno' dos Missionários da Consolata. Era uma criança dotada de um temperamento vivo, quase se podendo dizer "provocante", assaz forte e por vezes também rude.
O Padre Guerrino Prandelli lutou contra tudo... e a todos exortou para que permanecessem fiéis ao apelo da missão que se coloca a cada um no dia-a-dia das suas vidas. Assim que foi ordenado sacerdote, em 1969, foi-lhe proposto que trabalhasse um pouco em Itália, mas o jovem Sacerdote não se coibiu de dizer, no imediato: "Ou vão enviar-me para as missões a mim, ou terão de mandar o marido de uma qualquer senhora, porque de uma maneira ou de outra, como Padre ou como leigo, eu irei para as Missões."
Não restou outra alternativa e o Padre Guerrino Pandrelli foi então enviado para Moçambique, havendo chegado ao Niassa no ano de 1970 . Continuou lá a fazer o seu trabalho na tradução para as diversas línguas locais, ajudando os seus irmãos e em deslocações constantes de uma Missão para outra. Viria a ser numa dessas viagens que iria encontrar a morte.
Como Missionário da Consolata que era, foi nomeado vice-pároco de Nova Esperança. Ali trabalhou quase como um louco, parecendo estar a pressagiar que iria ter um tempo bastante curto para o cumprimento da missão a que Deus o destinara. Compreendeu de imediato quais as exigências e as necessidades daquela população, especialmente dos mais pobres, como era o caso dos leprosos. Para estes mandou construír várias casas, para que eles tivessem uma casa mais higiénica e saudável, visando proporcionar-lhes uma vida mais digna.
Era um Homem dotado do dom das línguas: estava apenas à dois anos no Niassa, mas o Padre Guerrino já traduzira, para a linguagem indígena local, alguns textos da Santa Missa, facilitando deste modo a participação do povo. Ele andava bastante feliz, apesar das dificuldades que lhe eram impostas pelas medidas anti-guerrilha. "Nova Esperança é a Missão mais isoladas do Niassa - escreveu -. Isto deve-se à guerrilha. Ultimamente nas nossas estradas tem sido colocado um grande número de minas, pelo que viajar se tornou extremamente perigoso. Nas aldeias ou na Missão, não há grande perigo, mas nós não podemos ficar ali parados, pois ninguém vem até nós, por várias razões. Precisamos prover-nos de alimentos e medicamentos, pois as pessoas não têm sal, açúcar, óleo, sabão, petróleo...."
O perigo veio ao encontro dele numa mina que foi colocada no seu caminho, quando seguia de Nova Freixo para Belém. Em meados de outubro de 1972, ele e os seus irmãos da Consolata foram chamados para se reunirem na Missão do Mitucué, nos subúrbios de Nova Freixo (hoje Cuamba), para tratarem da elaboração de alguns trabalhos missionários. Assim que terminou os trabalhos, sem esperar pelas conclusões e cerimónia de encerramento do Encontro, o Padre Guerrino Prandelli manifestou vontade de voltar imediatamente para a sua Missão.
Ainda foi aconselhado pelos outros Missionários, que lhe diziam para aguardar por um momento que pudesse ser mais seguro, mas o Padre Guerrino respondeu-lhes que não podia deixar os seus leprosos sem comida, pois os pobres não podem esperar esperar por momentos mais seguros, disse.
E lá partiu, sózinho, no seu Land Rover. Depois de haver celebrado a Santa Missa na Igreja de São Miguel, em Nova Freixo, seguiu caminho. Mal sabia ele que tinha celebrado a sua última Missa, porque, a cerca de 20 kilómetros de Belém, uma roda da viatura faz explodir uma mina anti-carro, que se encontrava dissimulada na estrada.
Houve uma violenta explosão, destruiu a viatura por completo e causou a morte súbita deste extraordinário Missionário, que ainda um mês antes havia escrito para um colega, estudante: "Acredita que se vive mais num ano de Missão, que em cinquenta anos em Itália, vividos na mediocridade".
O Padre Guerrino Prandelli morreu no dia 17 de Ourubro de 1972. Tinha apenas 29 anos e encontrava-se numa Missão... que apenas lhe gastou três: um desafio global "para tal mediocridade".
Anos antes ele havia confidenciado a um amigo , por causa de sua vocação missionária: "Eu quero ser como Cristo no meio dos povos do mundo, pregar as mesmas coisas com Ele anunciou, testemunhar o exemplo de uma vida pobre e humilde".
Os restos mortais do Padre Guerrino foram transladados para a sua amada Itália e repousam no cemitério de Vuangano, depois de concluida a sua curta mas rica existência terrena.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Combóio NOVA FREIXO... VILA CABRAL

Combóio para Vila Cabral

*
Quem chega às terras que formaram a antiga circunscrição do Amaramba, naquele imenso território que é o Niassa, toma-se conhecimento das muitas histórias que se contam relacionadas com os combóios e automotoras que circulavam a partir de Nacala e iam até às terras de Vila Cabral, ao Catur, a Metangula...
O Caminho de Ferro de Nacala ao Niassa, que "cortava" a Província de Este a Oeste, atingiu o Catur em Dezembro de 1962, depois percorridos mais de 800 quilómetros através dos distritos de Moçambique e do Niassa.
As regiões até então remotas de Vila Cabral e de Maniamba abriram-se para novas perspectivas, pois o combóio era uma pequena franja de progresso que chegava às terras do Lago. Completava-se então a maior linha alguma vez construída em território nacional. Catur passou a ser, desde Janeiro de 1963, o terminal da maior linha férrea de Moçambique. Em 14 de julho desse ano, com a presença do então governador-Geral, Almirante Sarmento Rodrigues, que por seu despacho de 10 de Abril de 1963 promovera o concurso para a construção do troço Catur/ Vila Cabral, procedeu-se à inauguração da nova linha Nova Freixo/ Catur.
Em Dezembro de 1969 completou-se o Caminho de Ferro de Nacala, com a inauguração do troço CATUR - VILA CABRAL, que ligava Nacala à região do Lago Niassa, num percurso de cerca de 800km, atravessando todo o país, por conseguinte, de oriente para ocidente.
Um ramal, concluído em 1970, a partir de NOVA FREIXO e passando por ENTRE-LAGOS (na fronteira), ligou esta importante linha ao sistema ferroviário do Malávi (antes Niassalândia), ficando assim este País com duas ligações directas para o mar, através de Moçambique
Mas a linha de caminho de ferro era bastante apetecível para a FRELIMO, porque lhe permitia cometer actos de sabotagem constante, minando diversos pontos de passagem das composições. Alguns Militares dão testemunho daquilo que passaram na protecção da linha:
"(...) vivi cenas de morte horrorosas. Uma delas aconteceu na madrugada de 5 de Março de 70, pelas 6 da manhã, a 3 ou 4 kms do nosso quartel em Catur. Uma zorra do caminho-de-ferro, com um atrelado carregado de homens que andavam a trabalhar na linha e a respectiva milícia que os protegia, foi alvo de uma emboscada pelos guerrilheiros da Frelimo. Quando chegámos ao local, vi a coisa mais horrorosa que se poderia imaginar: havia mortos por todo o lado totalmente decompostos e feridos em estado muito grave.(...)" - Relato feito por José Brandão - B. C. 2895 - "Passados 2 anos, o Furriel Silva, da Companhia de Caçadores 4242 patrulhava aquela linha férrea .Registaram-se, então, alguns descarrilamentos provocados por sabotagem do inimigo, não se tendo registado acidentes pessoais.
É de louvar a eficácia, no patrulhamento e protecção da linha férrea, nomeadamente no percurso Belém - Catur, promovida pelo grupo de combate comandado pelo Furriel Silva".
Para que conste, aqui fica registado o facto, com todo o mérito.
Quando fui até Nacala, viajando na automotora que, vinda de Nova Freixo, passou por Nampula, sofri dois percalços, sem consequências, é certo, mas que me fizeram começar a ter uma certa atenção com as histórias que se contavam sobre os combóios ou automotoras dos Caminhos de Ferro de Moçambique.
Talvez na longínqua Metrópole que era este jardim à beira mar plantado a que hou por bem chamar-se Portugal, ninguém ousasse pensar na possibilidade de um furo na roda da carruagem da automotora... mas aconteceu assistir a este "fenómeno", não uma mas sim duas vezes.
Estava no bar da composição quando esta parou inopinadamente, quase me lançando sobre o cavalheiro que pacatamente bebia uma "Laurentina", encostado ao balcão do bar. Foi então que o barista, que era um dos revisores da automotora, disse que estava tudo bem, pois tinha havido apenas... um furo numa das rodas e era coisa para uns momentos a reparação da mesma roda.
Fui espreitar e vi realmente estar a ser colocada uma travessa metálica com uma espécie de um macaco hidráulico, que levantou um pouco a roda furada e permitiu a sua substituição por outra em boas condições. Foi o meu baptismo de coisas inolvidáveis, como o foi o estilhaçar de um vidro provocado por uma galinha do mato que, tendo levantado voo "sem olhar o trânsito", se foi espatifar contra a frente da automotora. Seria um petisco para o condutor da composição... não se desse o facto de o ter ferido sériamente nos olhos.
Mas... Moçambique tem tanto para contar!!! Acreditem que isto não é nada!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

NOVA FREIXO... de ontem

Hangar do Aeródromo Base nº. 6
*
Estava em Nova Freixo quando ouvi relatar aquilo que foi «A farsa do 2.º Congresso da Frelimo», um evento que terá ocorrido em 1968, que seria nada mais nada menos que uma reunião das cúpulas políticas da Frelimo algures no Niassa.
Disseram então as vozes "aurorizadas" dos inimigos de Portugal que “a Força Aérea Portuguesa agiu massivamente com bombardeamentos de saturação na zona do congresso, com mais de vinte bombardeiros a actuar em rotação, forçando assim os congressistas a debandar.”
Tal afirmação, marcadamente fantasista, reflectia o desconhecimento profundo sobre questões relacionadas com as Campanhas Militares portuguesas em Moçambique, pede que nos debrucemos sobre ela, porquanto:
a. - Na data em que supostamente se realizou o tal Congresso da Frelimo, os meios aéreos de que dispunha a Força Aérea em Moçambique não correspondiam aos “mais de vinte bombardeiros” a que refere a notícia, supostamente publicada por um "talvez" jornalista pró FRELIMO... e nem sequer havia os própriamente ditos aviões bombardeiros no território.
b. - O então comandante-chefe das Forças Armadas de Moçambique, General Augusto dos Santos, referiu várias vezes não haver em Moçambique meios aéreos ou terrestres capazes de assegurar a mobilidade das forças sob o seu comando, pois “dispunha apenas de dois helicópteros para uso nos dois distritos do Norte de Moçambique” que tinham sido assolados pela subversão, concretamente o Niassa e Cabo Delgado.
c. - Os “bombardeiros” a que possívelmente aludiam, consistiam em dois tipos de aeronave, sendo uma o Harvard T-6, simplesmente um monomotor concebido para instrução. O outro tipo de avião existente no teatro de operações era o PV-2 Harpoon, um bimotor da Lockheed destinado ao combate naval, equipado com radar, que pode transportar bombas ou cargas de profundidade num compartimento situado no interior da fuselagem, oito foguetes sob as asas, com 5 metralhadoras de calibre 12,7 mm instaladas no nariz, duas numa torre dorsal móvel e mais duas móveis numa posição ventral junto da cauda.
O primeiro PV-2 Harpoon chegou a Moçambique em Fevereiro de 1962, operando a partir da Base Aérea 10, na Beira. Em finais de 1965 foram destacados dois PV-2 Harpoon para Vila Cabral, para executarem missões de ataque ao solo e bombardeamento táctico. O número máximo destas aeronaves em Moçambique era de seis, tendo dois sido acidentados no Niassa no ano de 1966, pelo que ficaram reduzidos a quatro.
Os aviões a jacto Fiat G-91 só chegaram a Moçambique nos fins de 1968, ficando baseados no Aeródromo Base nº. 5, em Nacala.
d. - Grande parte das baixas sofridas pelas Forças Armadas Portuguesas deveu-se precisamente à falta de meios aéreos para evacuação de feridos, chegando-se ao ponto de, na ZOT (Zona Operacional Tete) as baixas das tropas portuguesas serem muitas vezes evacuadas através de helicópteros da Força Aérea Rodesiana.
e. - A mobilidade das Forças Armadas Portuguesas, incluindo a da Força Aérea só se alterarou significativamente após a nomeação, em Março de 1970, do General Kaúlza d’Arriaga como Comandante-chefe das Forças Armadas de Moçambique, substituíndo o General Augusto dos Santos.
É a partir daqui que, pela primeira vez, as operações militares passaram a contar com a intervenção de forças helitransportadas, como ficou patente na Operação Nó Górdio, que foi desencadeada em Julho seguinte.
f. - Por tudo isto é mais que claro ser fantasia pura essa de terem sido utilizados "mais de vinte bombardeiros a actuar em rotação” contra os delegados ao tal Congresso da Frelimo realizado antes das alterações realizadas no teatro de operações a que me referi. Quem tal afirmar tem uma noção bastante limitada do que são as acções contra-subversivas, porque de contrário não se faziam afirmações totalmente descabidas.
Mesmo que em 1968 as Forças Armadas Portuguesas dispuzessem dos meios propalados, estes jamais seriam utilizados dessa forma, contra um alvo tão exíguo que não constituía ameaça táctica ao conjunto das forças em campanha, como era o caso da posição das forças da FRELIMO no local de realização do tal Segundo Congresso... que tinha a particularidade do mesma se realizar em zona não muito distante do aquartelamento das Forças Armadas Portuguesa em Olivença.
Uma simples base de guerrilha da Frelimo não justificaria o utilizarem-se tantos bombardeiros e ainda por cima, como diziam os "noticiários da caserna frelimista", “a actuar em rotação”, como se fosse um ataque à boa maneira de Pearl Harbour. Se, em 1968, a Força Aérea Portuguesa tivesse de facto recorrido a uma formação de mais de 20 bombardeiros, actuando em rotação, para atacar os delegados ao Congresso da Frelimo, a cúpula deste movimento, como resultado da intensidade das flagelações e bombardeamentos empregues, teria toda ela, ou pelo menos uma parte significativa, sido aniquilada, e isso, como se sabe, não aconteceu.
Quando for possível escrever-se a verdade sobre as guerras que aconteceram no antigo Ultramar, por investigadores isentis, que não se deixem levar nas cantigas de "escárnio e maldizer" que os actuais escribas vão debitando para o Zé Povo, que tem direito a ser informado com verdade sobre aquilo aquilo que foi a História Portuguesa do século passado, com a perda de um vasto legado que tinha 500 anos de existência e "voou" num ápice, porque alguém assim o pretendeu, não importa agora como... mas nunca vencidos pela sorte das armas!

sábado, 13 de junho de 2009

A RESERVA NATURAL DO NIASSA

- A Reserva do Niassa:
Esta Reserva possui uma área de 15 mil quilômetros quadrados e está localizada na Província do Niassa, nas margens do rio Rovuma. A Reserva parcial do Niassa foi famosa devido aos enormes efetivos de elefantes que possuía, considerada uma reminiscência do Jardim de Éden Africano...
Hábitat de uma grande diversidade de espécies de fauna tropical numa paisagem equilibrada, bravia... é um verdadeiro santuário de caça, que inclui muitas espécies clássicas tais como o leão, o leopardo, o elefante, o búfalo, e subespécies raras como o gnu-do-niassa (considerado endémico e por tal motivo sujeito a proteção), a zebra-boehms, o antílope-negro-africano e o cão-selvagem-africano – que está em perigo de extinção.
Também aqui existem girafas, podendo encontrar-se a subespécie girafa-do-Cabo!
O Governo Provincial, em cumprimento da Política Nacional, transformou toda esta herança natural e primitiva num destino eco-turístico, preservando todo um riquíssimo património natural completamente intacto, permitindo, deste modo, que o turismo se desenvolva de uma maneira sustentável, de um modo que permite ao homem, à fauna e à flora coabitarem em perfeita harmonia.
É uma das maiores reservas naturais do mundo – pensa-se que será a maior de Moçambique e talvez de toda a África Austral. A reserva é o hábitat da fauna e flora ainda por desvendar.
Nas extensas planícies da região do Miombo, situadas entre rios que se cruzam, erguem-se os majestosos Inselbergs. Alguns estão isolados como ilhas e outros próximos uns dos outros.
Ao longo dos rios vagueiam grandes manadas de caça, como faziam no tempo dos comerciantes de marfim...
Hoje esta reserva é o hábitat de uma crescente população de elefantes calculada em cerca de 12.000 cabeças. Esta abundância de animais permite a caça de troféus em zonas habitadas por búfalos na orla do parque.

Na reserva são permitidas apenas as máquinas fotográficas. É superiormente dirigida sob um rígido programa de conservação que inclui bastas iniciativas de desenvolvimento para as comunidades dentro do parque, ao mesmo tempo que vai promovendo o ecoturismo da vida selvagem.

A Reserva do Niassa é a última selva natural no mundo, de acordo com as primeiras experiências de Livingstone, quando abriu caminho através da selva com a sua caravana de carregadores e tendas, lutando contra búfalos e leões...
Essa nova rota está localizada numa área onde toda a superfície se encontra coberta de vegetação virgem e apresenta os menores índices populacionais de Moçambique.
Considerando a destruição massiva de animais nos anos da guerra civil, porque nos tempos coloniais apenas o comércio do marfim punha em risco os elefantes... ou então os safaris desenfreados que se faziam para Inglês pagar...ou Rodesiano...ou Sul-Africano ou fossem lá quem fossem, desde que tivessem dinheiro para gastar na aventura, a recuperação das Reservas naturais de Moçambique é um facto que deve encher de alegria todos aqueles que amam esta terra.

sábado, 6 de junho de 2009

Recordando...

Nova Freixo - a actual Cuamba (ou Kwamba?)
*
- No dia em que cheguei a Nova Freixo, viajando de Nampula a bordo de um NORD superiormente pilotado pelo Capitão Fernando Eiró Gomes e a sua excelente tripulação, fui logo transportado para a Vila, onde me foi atribuída uma "flat" no Prédio Moreno, alugado à Força Aérea para efeitos de alojamento dos Oficiais e Sargentos colocados no Aeródromo Base nº. 6.
- Mesmo que houvesse ali poeira de criar bicho, mercê da falta de alcatrão nos arruamentos, as acácias davam uma certa beleza ao conjunto habitacional... que até nem era falho de alguma harmonia, estéticamente falando. Frente ao prédio via-se um "projecto de jardim", onde abundavam as acácias em detrimento dos canteiros de flores e da relva... mas tudo bem! Nos ajardinados das vivendas havia algumas flores, que podiam dar aquele colorido diversificado que todos gostamos de presenciar.
- Mesmo no meio do jardim, estava implantado o edifício dos Correios, moderno, bem projectado, com pintura a cheirar a novo! A dois passos dali, o Café-Restaurante Caldeira, seguido de um série de moradias onde se viam crianças brincando. No fundo da rua, a Messe de Sargentos do Exército... que não tinha Sala de Refeições mas tinha um bar, o que não era nada mau. Mesmo em frente havia o estabelecimento do Raimundo, com comércio geral, café e... barbearia, imagine-se!
- Do outro lado do jardim via-se a Igreja de São Miguel de Nova Freixo, com a residência paroquial. E ao lado esquerdo de quem olhava a Igreja, encontrava-se a Residência das Irmãs da Consolata, o Colégio de São Teotónio e o Seminário da Missão. Do lado direito ficava o Bairro Ferroviário. Havia ainda o comércio geral com casa de comidas e bar pertencente ao Pontes, a quepomposamente se chamava o "Solar do Açoreano", porque era onde, aos fins de semana, se podia ter o subido prazer de ouvir cantar o fado.
- Havia também o Café-Cervejaria e Bar Sobral, que tinha já alguma categoria, dado o local onde estava implantado, que era pertença dos Sobral, tal como um modelar estabelecimento onde se podiam também comprar alguns artigos de muito boa qualidade. Esta família Sobral era das famílias mais conhecidas e respeitadas na Vila. O requinte e a arte fotográfica estavam entregues aos cuidados da Família Saraiva, tal como os artigos de livraria e papelaria... a par de algumas outras actividades que iam sendo desenvolvidas paralelamente com as que lhes serviam de referância.
- A Administração era um edifício de traça muito semelhante àquelas que eram predominantes naquelas terras que, num passado não muito distante, eram terras bem portuguesas.
- Mas muitas outras recordações haverá para dissecar... quando houver inspiração para tanto. Mas acredito que ela virá e muita coisa se dirá!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Terra Moçambicana...

...terra de gente forte, generosa, cooperante, que é capaz de amar e sofrer, de lutar e morrer, de se dar em plenitude por causas em que acredita! Sim! Nova Freixo poderia mudar de nome, de nacionalidade, de destino... mas jamais mudará de princípios, pois esses foram ditados pela constância daquelas gentes que, em terras remotas, ousaram ser os obreiros de uma cidade de que se pudessem orgulhar, num qualquer futuro que lhe viesse a ser propiciado num amanhã que apenas pretendiam viesse a ser ridente, uma cidade onde as pessoas sentissem que valera a pena a luta encetada para que os seus filhos pudessem ser felizes !
Foi a vontade de pessoas como aquelas que constituíam as famílias de Homens como eram o Altino Saraiva , os Sobral, o Sá Leão, o Raimundo, o Caldeira, o João Moreno, o Cardoso, o Valente, o Vasconcelos, o Ribeiro, o Sousa das Infras da Força Aérea e tantas outras que a Nova Freixo quizeram dedicar o melhor de si mesmos, na consecução de um projecto de vida para os seus filhos fosse capaz de lhes servir como futuro numa nova Pátria em embrião.
Poderia dizer-se tanta coisa sobre esta terra, mas tudo agora será utópico, porque a realidade de Nova Freixo é outra, em absoluto. O Colégio de São Teotónio, onde cheguei a leccionar, não é mais o mesmo colégio, como o não é o dia-a-dia do Agrupamento de São Miguel do Corpo Nacional de Escutas, onde o "Pila" e o irmão davam água pela barba ao Chefe, ao mesmo tempo que a Paula Cordeiro, a Isabel Sobral, o Sabino, o Zé Manel e o Mário Sá Leão, o Carlos e o Zé Sobral, o Carlos Ribeiro, o João Teixeira, o Jorge Maia e o irmão, o Adérito, o Alberto Santos, o Gama, o Luis Mesquita e o Salvador Rombe iam tentando compreender o espírito de Baden-Powell, através do "Sistema de Patrulhas" e do "Escutismo para Rapazes".
Parece que ainda vejo a Goreti Vasconcelos a ensinar os mais novitos segundo o "Manual do Lobito", entre os quais o Silvio Mesquita, o Fernandito, o Luis Sobral, o Paulito Valente, a Marina Sá Leão, a Amyraly Cardoso e todos os outros membros de uma Alcateia que procura ser hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje! Nova Freixo parecia poder tornar-se uma cidade referência no Distrito do Niassa, ao contrário de Cuamba, que mesmo tendo recebido a dádiva de um polo Universitário, parece ter regredido no progresso... vá-se lá perceber bem porquê! No entanto sou dos que acreditam que o espírito dos fundadores não deixará de se tornar actuante, podendo ainda esta terra, no porvir, tornar-se um polo indesmentível do progresso de Moçambique! Oxalá!

domingo, 10 de maio de 2009

Recordações...

A Igreja de Marrupa
*
No meu subconsciente permanecem, indeléveis, algumas imagens do Niassa que me trazem mil e uma saudades. De Nova Freixo ao Mitucué, do Mitucué a Mecanhelas, de Mecanhelas ao Lúrio, Vila Junqueiro, Mocuba, Marrupa, Belém, Maúa, Vila Cabral... encontro terras onde consegui ter amigos, solidariedade, hospitalidade, espírito de partilha para além do que poderia supor-se entre aquelas gentes, que não me conheciam, mas me tomavam a mão e diziam: "Minino: és benvindo na "xitaca"! Eu vai na machamba buscar uns coisa para os almoço, e conta contigo no mesa, tá bem?". Aqueles "chamuares" eram gente grande! Recebiam o "mekunha" com a amizade que só o Povo Moçambicano sabia dar! Era "maningue" bom haver gente assim!
Olho, em pensamentos, toda a majestade do Morro do Elefante - ex-libris de Nova Freixo. Quantas vezes, lá bem do cimo deste rochedo em forma de paquiderme, posso vêr a "lângua" de Nova Freixo, onde as enxurradas levam os peixes a saltar, acrobáticamente, e se "exibem" por completo fora das águas, mais parecendo estarem à procura de algo que se coma no meio do capim verdejante das margens.
Quem vê pensará serem esses saltos um sinal de inequívoca alegria, mas sabe-se que é apenas o extertor da morte que se manifesta! Os homens e as mulheres do aldeamento aproveitam aquela dádiva dos céus e lá vão eles, de cesto na mão, apanhando todo o peixe que podem, porque dará para matarem a "malvada" da fome, que é o pão nosso de cada dia daquelas gentes!
Continuando a olhar em redor, vejo agora, lá bem perto da linha do horizonte, debaixo daquele lindo céu azul, onde o Sol estará prestes a adormecer, o espelho brilhante do lago Chirua, logo após a enorme massa líquida do majestoso Lago Niassa.
Sinto o resfolegar do combóio para Vila Cabral, que se estende pela imensidão de uma terra em que está patente o sinal de generosidade daqueles que a têm no coração, depois de nela haverem dado o melhor de si mesmos para que Moçambique fosse uma terra de futuro! Porque Moçambique foi para a independência, há sempre a tentação de calar a história daquilo que foi o seu passado. Mas o passado está indelévelmente marcado pelo empenho dos Portugueses que legaram a Moçambique um passado de que se podem orgulhar os Moçambicanos, como os Portugueses se sentem orgulhosos por tudo o que lá souberam construír.
Podemos dizer, sem dúvida, que Moçambique foi obra de Portugueses, por muito que custe aos Moçambicanos. Houve erros? Onde será que os não houve? E depois da independência... foi tudo ouro sobre azul? Não houve mais problemas? Claro que houve... e continuará a haver enquanto não se mudarem as consciências dos governantes, que teimam em vêr apenas as culpas dos antigos colonizadores em todos os "azares" que lhes vão acontecendo... 34 anos anos após a independência. Até nisto há uma clara herança Portuguesa, pois também aqui os partidos da esquerda indicam os governos que os antecederam como responsáveis por todos os erros que vão cometendo.
Feitios...

domingo, 26 de abril de 2009

25 de Abri... uma reflexão !

O 25 de Abril de 1974 é uma data de que quem se encontrava em missão de soberania na defesa da Pátria portuguesa em Moçambique jamais se esquecerá.
Não que não desejassem ver terminada a pungente saudade dos entes queridos, que sentiam nos seus corações; não que não quizessem ver findar uma guerra em que iam perecendo alguns dos melhores filhos da Pátria; não que não pretendessem estender a mão ao outrora inimigo e partilhar com ele o generoso fruto do seu trabalho, cooperando para que fossem herdeiros orgulhosos da nova Nação em embrião, pois era esse o caminho que desde há muito se adivinhava para as antigas possessões portuguesas do Ultramar.
O 25 de Abril veio escancarar as portas das independências... mas não cuidou de saber acautelar aquilo que iria ser o dia 26, com a onda de violência sobre o "odioso colonialista branco e os seus colaboradores"... que vieram a ter que prestar contas por... não terem culpa de nada daquilo que foram os anos da guerra entre as Forças Armadas Portuguesas e a FRELIMO, pois estes pretendiam lutar pela sua auto-determinação e independência, enquanto aqueles apenas e tão só cumpriam o seu dever de Militares que protegiam as populações contra a sanha terrorista, que não olhava a meios para atingir os fins: "É NECESSÁRIO MATAR? ENTÃO MATAMOS!".
Nos meses seguintes ao 25 de Abril, a FRELIMO recrudesceu os seus ataques às populações e às Forças Armadas, matando apenas para poderem provar que tinham a força das armas do seu lado, mesmo atacando aeronaves em voo humanitário de transporte de doentes civis.
É assim que morre o Major Fernando José Castelo, cujo "héli" foi abatido por alturas da assinatura desse memorando que ficou conhecido nos anais da história porAcordos de Lusakae foi protagonizado por Samora Machel, Joaquim Chissano, Armando Guebuza, Alberto Chipande, Óscar Monteiro, Bonifácio Gruveta, Sebastião Mabote, Jacinto Veloso - Piloto da Força Aérea Portuguesa que desertou para as fileiras da FRELIMO -, Mariano Matsinha, Xavier Salila, Joaquim Munhepe, Mateus Malichocho, João Phelembe, Joaquim de Carvalho, José Mosane e Graça Simbine, após um frente a frente acontecido naState Houseem Lusaka, na Zambia, e uma delegação portuguesa liderada por Mário Soares - Ministro dos Negócios Estrangeiros, da qual também faziam parte Ernesto Augusto Melo Antunes - Ministro sem Pasta, António de Almeida Santos - Ministro da Coordenação Interterritorial, Victor Manuel Trigueiros Crespo - conselheiro de Estado, Antero Sobral - Secretário do Trabalho e Segurança Social do Governo Provisório de Moçambique, Nuno Alexandre Lousada - tenente-coronel de infantaria, Vasco Fernando Leote de Almeida e Costa - capitão-tenente da Armada, Luís António de Moura Casanova Ferreira - major de infantaria.
Foi no dia o1 de Setembro de 1974 que a FRELIMO tomou o quartel do Exército sediado em Nangade, numa tomada de posição que pretenderia mostrar haver uma disposição para continuar a luta.
A revolução de 25 de Abril de 1974 ficou directamente ligada à guerra colonial, não só na fase inicial do Movimento dos Capitães, mas principalmente porque se supõe ter-se então tomado consciência de que apenas uma solução política poderia pôr termo a essa guerra e essa solução política teria de passar, forçosamente, por uma mudança de regime.
Pena foi o não terem aquilatado sobre quais as consequências de uma liberdade plena, que viria a mostrar-se potenciadora de alguns acontecimentos que, ainda hoje, continuam como ferida na alma de quem os viveu.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

35 ANOS DEPOIS...

REGAM-SE OS CRAVOS DE ABRIL...
... ARREBITARÃO?
... tanto que havia para dizer! Os cravos cedo começaram a murchar, porque a Revolução rápidamente fugiu ao esquema árduamente preparado pelos chamados Capitães de Abril... talvez porque alguns não eram Capitães, outros não teriam sido promovidos naquela data... e haveria outros que nem sequer mereceriam o posto, tal a indignidade mostrada durante aquilo que se convencionou chamar de PREC.
Encontrava-me eu em Nampula - Moçambique - quando se deu o golpe que derrubou o Governo de Marcelo Caetano. A maioria das pessoas apenas se terá apercebido bastante tarde, porque não seriam muitos os que, numa terra em que o mata-bicho se tomava cerca das 06 horas da manhã, teriam acesso às notícias provenientes de Lisboa.
Soube do golpe porque a área envolvente ao Comando Militar de Nampula, à Capela Militar, Unidades sediadas na cidade e à Cantina da Manutenção Militar, haviam sido vedadas e os Militares de serviço só me deixaram passar poprque estava fardado e apenas ia à Manutençao buscar alguns géneros necessários para o quotidiano.
Perguntei a um Oficial o que se estaria a passar... e ele disse-me que tinha havido um golpe de estado em Portugal e que o Governo fôra derrubado e mandado para o exílio.
Acontece que pouco tempo antes tinha havido um pronunciamento feito a partir do Regimento de Infantaria 5, das Caldas da Rainha, pelo que logo me apercebi que as mudanças iriam ser muitas e as Guerras em África iriam ter ali o seu epílogo.
Era só esperar-se para vêr... mas a ansiedade começou a espelhar-se nos rostos da comunidade civil, co9meçou a dar-se uma explosão de partidos e movimentos, uns com uma expressão, outros com outra, pois enquanto uma parte da população era favorável à continuidade de Portugal em África, outros achavam já ser tarde que tal facto viesse a acontecer.
No mato, algumas Unidades do Exército, não sei se por determinação dos Comandos se de "motu próprio" dos Militares dessas Unidades, resolvem abrir-se ao convívio "fraterno" com a FRELIMO - precisamente o inimigo de ontem - e chegam ao ponto de entregar as armas e os aqurtelamentos, dando assim azo ao riso e à chacota do próprio Samora Machel, que nem queria acreditar ser possível tal traição aos sagrados deveres a que o Juramento de Bandeira os obrigava. No primeiro comício no Estádio da Machava, Samora disse precisamente jamais lhe haver passado pela cabeça tal desatino e sinal de cobardia. É que, entretanto, alguns outros, mais conscientes de que era preciso manter uma certa dignidade, iam sendo sacrificados em holocausto pela Pátria, como foi o caso do Capitão Piloto Aviador Fernando José Castelo, cujo helicóptero foi abatido pela FRELIMO, que continuava a lutar, aproveitando as fragilidades provocadas pela "desmobilização" daqueles de quem Samora falava.
Trinta e cinco anos após a revolução... é tempo de escutar as consciências e dizer até que ponto foi cumprido o chamado programa do Movimento das Forças Armadas. Porque democracia com fome e sem trabalho, sem segurança, sem saúde... será tudo menos democracia! Há mais liberdade ou liberdade demasiada? Portugal mudou muito, é certo, mas a corrupção, o caciquismo, o novo-riquismo das classes políticas, que são eternas beneficiárias dos lugares de posição cimeiras nas grandes empresas ou instituições do País... que cada vez se confronta mais com a certeza de que o 25 de Abril foi bonito - "foi bonita a festa, pá, estou contente..." - mas o dia seguinte veio abrir chagas difíceis de cicratizar, deixou a sociedade doente... e o número de pobres assustadoramente aumentada! VALEU A PENA?

domingo, 12 de abril de 2009

RESSUSCITADOS COM CRISTO

Ainda tenho presente a primeira Páscoa que passei no AB6, ou melhor dizendo, em Nova Freixo! Foi uma Páscoa não muito diferente daquelas a que estava habituado viver em Leiria ou em Angola, pois Cristo e a Sua Paixão e Morte na Cruz são referência indelével do cristão em qualquer parte do mundo, são o sinete que marca aqueles que foram Baptizados em Cristo.
No entanto, há tradições que se verificam um pouco por todo o lado, até naquilo que se come do dia da Ressurreição. E Nova Freixo não fugia muito àquilo que era a tradição pascal, porque o que interessava, acima de tudo, era viver esta data em comunhão com a Igreja Universal sem descurar os costumes locais, tais como a alimentação, os cânticos religiosos e todas as manifestações que tornavam mais rica a celebração pascal.
Recordo haver um problema grave a resolver no que respeitava à proibição de se comer carne nos dias de jejum e abstinência, segundo determinava a Santa Igreja. Sabemos que o peixe é hoje bastante caro, agora calcule-se como o seria numa terra do interior, sem mar ou rios onde pescar. O peixe mais próximo vinha do Lago Niassa... quando vinha! Havia a possibilidade do bacalhau... mas onde o comprar? Havia marisco, mas era pior comer-se camarão, sapateira ou outros mariscos ou peixes como a corvina, a pescada ou similares, como alguns cristãos faziam, mandando vir de Nampula.
Os missionários diziam então que ninguém ficava impuro por comer carne. “Ai senhor padre, mas sempre foi assim. Os nossos pais era assim que faziam” - lamentavam-se algumas devotas - “O que posso então comer?”. "Olhe... coma comidas simples, pobres. Nada de comidas requintadas!". “Basta isso?!” - perguntavam. "É a Páscoa uma ocasião em que devemos procurar ser bons!".
Parece que ainda me soam aos ouvidos os cânticos em língua Macúa, entoados pelos alunos do Seminário de Nova Freixo, acompanhados pelos batuques, que pareciam dizer:
"CRISTO RESSUSCITOU, ALELUIA! RESSUSCITOU E VENCEU A MORTE, PARA REDENÇÃO DO HOMEM DE TODOS OS TEMPOS, EM TODOS OS LUGARES!".

sexta-feira, 27 de março de 2009

TERRA VERMELHA...

... que, em especial quando chovia e tudo virava "matope", mais nos dava a ideia de terra regada com sangue. Afinal não será mais que uma argamassa quase pronta para revestir qualquer palhota da zona.
Quando cheguei a Nova Freixo, admirei a tez negro-avermelhada de alguns nativos da zona, porque não me passava pela cabeça tratar-se de pó do caminho, aquele pó penetrante, que nos sufocava a pontos de tornar necessário colocar um lenço a proteger a boca e o nariz, para permitir respirar quase de modo conveniente.
Os "putos" da então Vila, já feitos ao ar irrespirável, andavam de "ginga" devidamente protegidos do tal pó fininho, que era inimigo quase tão temível como a FRELIMO. Valiam as mangueiras para dar um pouco de sombra, já que não haviam por ali mangueiras como as dos bombeiros - estes não existiam, claro - para se regar o chão e fazer o pó reduzir-se a insignificante "matope", maleável como as cobras, que também as havia por ali .
Quem ganhava com tudo isto eram os bares do Caldeira, que vendia Laurentina até mais não, do Sobral, do Solar do Pontes Açoreano ou do Raimundo e do Valente, já para não falar dos bares militares, onde era travada a tradicional "guerra" entre a "Laurentina" e a "2-M", pois todos queriam ser os melhores lá da rua. O que interessava era fazer a poeira desaparecer das nossas gargantas... ainda que fosse com água, se a houvesse capaz!
Mesmo assim, com pó, calor, falta de água e tudo o mais que se possa imaginar, os jogos de futebol de salão eram o ex-libris das tardes de Nova Freixo, tal como o era o dia de "São combóio", quando quase toda a Vila se deslocava para a zona da estação, para vêr quem chegava e quem partia, naquele jeitinho tão peculiar dos "Portugas", que gostavam de vêr com olhos de vêr... para não jurar falso, como soe dizer-se.
Há algumas acácias espalhadas pela Vila, mas são poucas para as necessidades, porque a terra está a crescer... e as árvores nem por isso!
Terra vermelha, fininha como farinha, agressiva como um animal feroz que nos atacasse a garganta... mas quantas saudades estão latentes neste desabafo, que não é mais que um lamento pela distância a que se encontra aquela querida terra moçambicana, encostada lá para as bandas do Lago Niassa, protegida pelo Mitucué e pelo Morro do Elefante. Tenho saudades da generosidade daquela terra pintalgada de verde e vermelho ... quase me parecendo estar ela embrulhada na nossa Bandeira, pois quando as mangas começavam a amarelar, havia a ilusão de serem pedaços da esfera armilar do Escudo de Portugal.
Tenho saudades de Nova Freixo... de Cuamba... do pó vermelho irritante... do ar quente, sufocante, que pedia um VAT 69 com muito gelo ou uma "bazooka" da "Laurentina" para limpar o ardor da garganta!

sábado, 21 de março de 2009

NO SANTUÁRIO DA GUERRA...

Uma secção da FRELIMO
*
Dizem os conhecedores dos ideias marxistas-leninistas e conforme foi proclamado pelo líder Mao, que "as populações estão para o guerrilheiro como a água para o peixe". Segundo essa mesma doutrina, as chamadas "lutas de libertação nacional" são uma parte integrante do movimento revolucionário mundial, dirigidas às populações para que as consciencializem politicamente. Mais tarde, numa outra fase, devem dedicar-se à constituição de forças revolucionárias, ficando então prontas para passarem à acção violenta.
A morte do missionário holandês Daniel Boorman, da missão de Nangololo, foi o acontecimento que veio marcar o começo da acção violenta em Moçambique. A força mais importante no início da guerra colonial foi a Frelimo, apesar de vários outros pseudo movimentos disputarem a orientação da luta contra os portugueses, acabando por se fundir ou extinguir, como é o caso do Coremo, Unamo, Molimo, Monalimo e do Fumo.
Em 1973 o Samora Machel (da Frelimo) e o Paulo Gumane (do Coremo) vieram anunciar esse ano como um ano ainda mais sangrento. Num panfleto que foi deixado pela Frelimo após um ataque a um aldeamento do Niassa dizia-se: "neste ano as machambas, os rios, os caminhos e as estradas estarão minadas".
Durante a Operação Corvo III tinha sido feito prisioneiro o chefe distrital de reconhecimento (Sereco) e foi abatido o comandante da Base do Unango, que transportava uma pasta com documentos. No interrogatório, as declarações do prisioneiro permitiram referenciar a localização da Base Gungunhana e o estudo dos documentos veio revelar estar marcada pelo chefe provincial, Sebastião Mabote, uma reunião dos chefes militares da Frelimo no Niassa, na base, para discutirem as acções que se propunham realizar nas regiões de Cantina Duas e Vila Cabral.
Devido ao valor excepcional desta informação, à possibilidade de surpreender uma reunião de líderes da Frelimo e ainda o facto de se dispor de um prisioneiro importante, foi decidido realizar uma operação no maior segredo, empenhando efectivos reduzidos, mas escolhidos.
Assim, pelas sete horas da manhã, descolaram do Aeródromo de Manobra nº. 61, em Vila Cabral, dois aviões, um DO-27 e um T-6, estando este armado com bombas e rocketes, para irem proceder ao bombardeamento do objectivo.
Os homens dos Comandos, que se haviem posicionado a cerca de 1.ooom da base inimiga, num dispositivo de assalto em meia-lua, avançaram após o lançamento das primeiras bombas, atacando os guerrilheiros que procuravam escapar ao bombardeamento.
Com a situação devidamente controlada, procedeu-se a uma busca no interior da base inimiga, onde foi encontrado bastante material, pois como resultado desta operação, foram mortos 22 guerrilheiros e capturadas três metralhadoras anti-aéreas, dois RPG-2 e 30 espingardas de vários tipos e origens, podendo daí inferir-se do grande desenvolvimento que o inimigo já lograra alcançar no Niassa.
Tal como acontecia em Cabo Delgado... e um pouco por toda a imensidão dos matos de Moçambique, havia dificuldade de comunicações, o acidentado do terreno, e a fraca presença de colonos, vinham facilitar bastante a acção da FRELIMO no Niassa, pois esta alargara a sua acção para o Sul, na direcção de Meponda e Mandimba, de onde procurariam atingir o Malawi, percebendo-se a clara intenção de descerem até Mecanhelas e, deste modo, alcançarem a Zambézia e daí se poderem ligar a Tete.
Por outro lado, a FRELIMO fes chegar a sua acção, em simultâneo, ao Leste, em direcção a Marrupa, para daí alcançarem Cabo Delgado.
Um grupo inimigo, que se estimava em cerca de 30 elementos fortemente armados com armas automáticas, morteiros ligeiros e Bazooka, logrou aproximar-se da povoação de Munhehere (antiga circunscrição de Mandimba, Posto de Belém). Atacaram-na de forma impiedosa, mantendo-a debaixo de fogo durante cerca de hora e meia. Incendiaram algumas palhotas e raptaram 45 aldeãos, na sua maioria mulheres e crianças, tendo ainda roubado duas espingardas Mauser.
Após uma tenaz perseguição que foi encetada pelas nossas forças, o grupo inimigo resolveu bater em retirada, atravessando o rio Lugenda, na direcção de Maúa.
Como é fácil inferir-se, a região onde estava implantado o Aeródromo Base nº. 6 não era uma zona de turismo, sendo antes uma região bastante interessante para se viver atento aos sinais que poderiam surgir no horizonte, ou não fosse um santuário da FRELIMO com bastante impacto.
Pela nossa parte, mostrámos estar firmes e vigilantes... e eles que viessem!

domingo, 1 de março de 2009

ESCUTISMO EM NOVA FREIXO

Mal cheguei à Vila de Nova Freixo, a primeira coisa que me apercebi foi não terem os jovens locais estruturas onde pudessem colocar o seu imaginário a render, soltar a sua criatividade ou viver em ambiente de partilha solidária, de modo fraterno, as fases da sua afirmação na sociedade em que estavam inseridos e de que seriam lídimos continuadores num futuro mais ou menos próximo.
De forma instintiva, logo me lembrei de que o Escutismo poderia ser uma das soluções para resolver tal falha, porque me lembrei do que representou para o Negage, quando estive em Angola, o ter sido criado um Agrupamento de Escutas do CNE, pois deu aos jovens angolanos uma possibilidade de viver segundo o espírito de Lord Baden-Powell, o Fundador do Escutismo.
Fui apresentar cumprimentos ao Pároco de Nova Freixo, Revmº. Pe. João Monteiro da Felícia, Missionário da Consolata que ali estava a exercer o seu múnus sacerdotal. A certa altura, entre um café e dois biscoitos, diz-me que está pensar fundar um Agrupamento de Escuteiros, só não o tendo feito ainda porque não tem ninguém para o ajudar na tarefa. Dei uma gargalhada e disse-lhe aquilo que tinha pensado, quando me dirigia para a residência paroquial: havia falta de uma actividade capaz de entusiasmar os jovens locais e essa poderia ser o Escutismo.
Como era Escuteiro do CNE há cerca de 25 anos, com agrado ajudaria na tarefa a que prentendia deitar mãos.
Agradeceu-me... e desde logo procurei encontrar os colaboradores necessários para formar a Equipa Dirigente. No Aeródromo Base 6 convidei o 1º. Cabo Domingues Henriques, Caminheiro do Clã do Agrupamento dos Olivais - Lisboa, para chefiar o Grupo. O Pe. João poderia ser o Assistente ou o Chefe do Agrupamento,tal como o Pe. Herculano, Reitor da Missão da Consolata em Nova Freixo. Convidou-se também uma jovem Catequista local, a Maria Goretti Vasconcelos, para chefiar a Alcateia, o 2º. Sargento Alves, para chefiar o Clã e o Furriel (Ex) Pedro Ribeiro para Secretário do Agrupamento.
Realizou-se então uma conferência na Sala de Espectáculos do Desportivo, onde foi explicado aos pais aquilo que se pretendia implementar na Vila, que finalidades se pretendiam atingir, o que era o Escutismo e quais os regulamentos a que haveria de se obedecer.
Foram abertas as inscrições... e o êxito foi total! A afluência levou a que num ápice se constituam um Grupo Júnior com 4 Patrulhas de 7 elementos, um Grupo Sénior de 2 Patrulhas de 6 elementos cada e uma Alcateia com 5 Bandos de 6 elementos.
O pior foi ter-se uma comunidade Ismaelita muito grande e os jovens islâmicos, lógicamente, também pretenderem ser Escuteiros, acontecendo o mesmo com as raparigas católicas, para as quais não conseguia encontrar uma dirigente capaz de as poder integrar.
Pediu-se então à Junta Central que desse parecer sobre o que se deveria fazer... e a Chefia Nacional aconselhou que as raparigas fossem integradas em Patrulhas mistas, adoptando o método da co-educação, sistema que estava a ser implementado no CNE na Metrópole.
Quanto aos jovens da Comunidade Islâmica, que se constituissem Patrulhas normalmente... e se adaptasse a Lei, os Princípios e a Promessa à realidade da religião que professavam! Apenas era necessário estar-se atento e conseguir que a Comunidade acompanhasse os jovens no que respeita à religião.
Num próximo trabalho continuarei a explanar aquilo que foi a aventura do Escutismo em terras de Nova Freixo. E há muito para dizer, acreditem! Poderá afirmar-se que os Militares fizeram um trabalho altamente meritório no campo da educação da juventude. Presumo que possa ser essa uma das razões para que o Escutismo esteja a sobreviver na África de expressão Portuguesa, felizmente!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O SER PORTUGUÊS...

...é algo que me interpela, me causa algum tremor quando recordo os que, nos Comandos Africanos, nos GEP´s, nos Flechas, nas diversas Milícias, nos Voluntários ou em qualquer outro organismo, se lutou em África pela continuidade multisecular da Pátria Portuguesa.
Um poeta lusitano escreveu, um dia, que "A MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA" e acredite-se ou não, ele estava absolutamente dentro da verdade, porque quem fala a língua Portuguêsa está verdadeiramente imbuído da "Alma da Pátria" que somos, seja dentro do território nacional seja nas comunidades espalhadas pelas quatro partidas do mundo.
Aquilo que o poeta não disse foi que a Pátria é a "Nossa Terra", porque se formou nos múltiplos combates que foram travados e vêm descritos na nossa história, onde se referem mil dores e alegrias, inúmeros encontros e desencontros, muitas tragédias e comédias, imensas partidas e chegadas.
A Pátria significa o encontro de culturas ao longo destes oito séculos que formaram uma enorme Nação e criaram uma língua que é chamada de Língua Portuguesa.
Fomos uma "Pátria em pedaços repartida", porque andámos "por mares nunca dantes navegados" do Ocidente ao Oriente, de Timor à Amazónia, da África à Àsia, onde os navegadores levaram a civilização cristã... e uma língua, que a falada pelos marinheiros de Cabral ou do Gama, de Perestrelo ou Eanes. Era também esta língua que falavam os irmãos Álvares Pereira, que se enfrentaram em Aljubarrota, tal como acontecia com os Militares que, na Guerra Civil, venceram D. Pedro ou aqueles que se exilaram com D. Miguel.
A Língua de Camões era falada pelos vencidos e pelos vencedores de todas as revoluções, fossem eles algozes ou vítimas. Fomos sempre, de forma inequívoca, Portugueses, para o bem ou para o mal.
Em África deflagrou uma guerra cruel, que colocou Portugueses contra Portugueses, considerando que as forças beligerantes de terra, mar e ar eram compostas por Homens que falavam a mesma língua: a Língua Portuguesa.
Dessa guerra surgiram novos Estados, que assinaram tratados, fizeram leis e constituições, estabeleceram fronteiras, escolheram uma Bandeira e um Hino! A isto chama-se fazer história!
No entanto, a história de vários séculos de vida em comum não se pode apagar com facilidade, nem tampouco se esfuma por decreto. É que, mesmo separados, estaremos para sempre indelévelmente unidos, porque a nossa Pátria é a Língua Portuguesa.
Mas eis aqui a minha revolta:
- O ESTADO PORTUGUÊS RECONHECEU COMO CIDADÃOS PORTUGUESES O FRANCIS OBIKWELU, ALGUNS ATLETAS DE LESTE, COMO O VICTOR TCHIKOULAEV E NÃO SÓ, POIS HAVIA ANDEBOLISTAS QUE INTERESSAVA NATURALIZAR PARA SE CONSEGUIR UMA SELECÇÃO FORTE, OU FIGURAS DO JET 7 OU DO JET 8, E NÃO FALO AQUI DOS ORIUNDOS DOS PALOP, COMO É O CASO DOS BRASILEIROS E MOÇAMBICANOS OU DOS ANGOLANOS E CABOVERDIANOS OU DE OUTROS TERRITÓRIOS DE ALÉM MAR, PORQUE ESSES SÃO FALANTES DE PORTUGUÊS, TÊM A LÍNGUA COMO PÁTRIA...
...MAS, DE UMA FORMA INCRÍVEL, PERMITIU QUE, PELOS NOVOS SENHORES DOS ANTIGOS TERRITÓRIOS PÁTRIOS, FOSSEM MORTOS POR FUZILAMENTO, ACUSADOS DE TRAIÇÃO ÀS TERRAS ONDE NASCERAM, PORQUE PELOS GOVERNANTES DE ABRIL LHES FOI VEDADO O DIREITO A SEREM PORTUGUESES, ELES QUE COMBATERAM AO SERVIÇO DA MÃE-PÁTRIA, DEFENDENDO A BANDEIRA VERDE RUBRA DE PORTUGAL, SOBRE A QUAL UM DIA JURARAM.
Estou convicto de que o sangue desses Mártires, caídos sem Honra por terem sido abandonados à sua sorte, clamam por justiça, porque apenas se limitaram a defender Portugal, a bem amada Pátria de nascimento.
Há uma enorme dívida de sangue a pagar, esse mesmo que foi vertido por aqueles Homens que não tiveram medo de honrar a sua Pátria, pois tinham na Língua Portuguesa o símbolo de união deste País "em pedaços repartido", que amaram acima de tudo, doando-lhe até a própria vida.