domingo, 25 de janeiro de 2009

"Strella" no Dakota FAP

DAKOTA após a aterragem na pequene pista

Diagrama da viagem . CLICK p/ampliar
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Quem presenciou o jantar de 06 de Maio de 1974, que se realizou na boite "Bagdade", em Nampula, nem sequer suspeitaria de que alguns dos clientes que ali jantavam, estariam a viver uma segunda vida.
Tudo porque, naquele mesmo dia, cerca das 13 horas, um avião DAKOTA, da Força Aérea Portuguesa, com a matrícula 8174, que havia levantado voo de Namgade com destino a Nampula, transportando uma delegação de Adidos da África do Sul (1), Alemanha (1), Grã-Bretanha (1) , Estados Unidos da América (2) e Brasil (2), além do Alferes Alves, dos Comandos, que era o Oficial de Ligação, e tripulado pelo Capitão Pilav José Assunção, piloto da aeronave, o Alferes Costa, co-piloto, 1º. Sargento Roma Pereira e 1ºs. Cabos Pinheiro e Agostinho, tripulantes, tinha sido atingido por um míssil "Strella", que havia sido disparado pela FRELIMO, quando voavam entre Diaca e Mueda, num desvio de rota imposto pelo mau tempo que se fazia sentir.
Dado o estado deplorável da aeronave, que ameaçava "desintegrar-se" a todo o momento, como provava aquela bocadagem de chapa que se ia soltando uma após outra, após o embate do engenho explosivo, o Piloto resolveu-se pela utilização de uma pequena pista destinada ao treino de avionetas, que ficava situada em Nancatari, para aí tentar aterrar o DAKOTA em segurança, considerando os VIP que levava a bordo.
Segundo relatam algumas testemunhas, o Brigadeiro Alfredo César, Adido Brasileiro, terá dito então aos Americanos, seus companheiros de aventura: "Aqui é como no Brasil: se corre bem, corre tudo bem, se corre mal, corre tudo mal! Vocês têm a mania de serem os melhores do mundo, que têm uma Força Aérea que é a mais capaz de todas, mas não chegam sequer aos calcanhares dos Portugueses!".
"Como assim?" - pergunta um dos americanos, que também falava português.
"É que - prosseguiu o Brigadeiro Brasileiro - nós fomos sériamente atingidos quando passámos à vertical de Mueda, o piloto põe-nos no chão, nas condições que pudemos verificar, ainda mal aterrámos e já tinham os helicópteros prontos para nos evacuar. Chegamos a Mueda e já lá encontramos um avião pronto para nos transportar para a base (Nampula). Diga lá como é que vocês alguma vez conseguiriam fazer uma coisa destas?".
Importará dizer que o DAKOTA 6175, tinha o motor direito a arder e "latas" a soltar-se por tudo quanto era lado, mas o Piloto Assunção fez-se à pista - que teria cerca de 350 a 400 metros e estava ocupada por alguns militares que jogavam à bola - , sofre um impacto ao tocar no solo, faz um cavalo de pau sobre a esquerda e... imobilizou-se, depois deste pensamento do Piloto: "Zé... acabou-se! O Zé morre hoje e não há mais nada!". Mas afinal sempre havia!
Na "Bagdade" a festa foi de arromba, e aqueles Adidos estavam mesmo doidos de todo! Pudera! Não era caso para menos.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

VOZ DE PORTUGAL


Uma voz lá de longe, bem distante
- "Voz Portuguesa" - voz altiva, e cheia,
porque o fero agressor, em casa alheia,
quer penetrar, inquieto, aviltante.
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Voz de um Povo, que canta, altissonante,
as frases mais subtis de uma epopeia
É que, desde a cidade até à aldeia,
se mantém sempre atento, vigilante.

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Em nossa África, essas grandes almas
que têm vivido as horas mais incalmas
em defesa de um bem, que é imortal,
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Jogam a vida... mas dão vida à História!
- Ante o agressor, erguem a voz da Glória
para afirmar: "AQUI É PORTUGAL!"
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Autora MARIA DE JESUS
Poetisa da Figueira da Foz,
viúva de um brioso Oficial
do Exército, morto em combate.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

LICHINGA ou VILA CABRAL ?

Sé Catedral de Vila Cabral
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A Cidade de Lichinga, antiga Vila Cabral é actualmente, como o foi no passado, a Capital da Província do Niassa e tem como limites naturais o rio Sambula e a localidade de Lussanhando a Noroeste; os postos administrativos de Lione e Meponda a Oeste; e o posto administrativo de Chibonila ao Sul.
A Cidade, que foi construída no rebordo Oeste do planalto do mesmo nome, por razões geo-estratégicas, inclui dentro dos seus limites administrativos uma superfície de aproximadamente 290 Km2, que é constituída, na sua maior extensão, por planícies que vão de encontro às montanhas conhecidas por "N’tchingas", interceptadas por numerosas correntes de água.
O relevo é tipo planático, medianamente ondulado e tem uma altitude de cerca de 1.300 metros.
A singularidade da Cidade reside no seu clima exótico, do tipo tropical húmido modificado pela altitude, sendo caracterizado por épocas frias e muito chuvosas, o que torna as condições meteorológicas locais muito próximas ao dos continentes Europeu e Americano.
No contexto regional, a sua influência económica é bastante reduzida, quando comparada com outras capitais provinciais: A Cidade depende de Nampula, como terminal do corredor de Nacala.
O Município da Cidade de Lichinga é o centro urbano da 3ª Classe menos desenvolvido ao nível nacional e dentro do contexto da região Norte, subordinando-se a Nampula.
A sua influência é limitada ao nível da Província.
População: Com uma área de 290 Km2, tem uma população actualmente estimada em 75.350 habitantes, sendo uma cidade de características urbanas e rurais que se encontra estruturada em 11 bairros assim denominados: Nzingue; Chilungo; Muchenga; Popular; Estação; Cerâmica; Massenger; Sanjala; Assumane; Lulemile e Mitava.
História: Em Ajaua, Kuvicinga-Licínga significa parede, muro ou cerca. O nome provém do monte que barra a entrada da cidade, para quem vem de Cuamba (antiga Nova Freixo).
A 21 de Maio de 1932 a povoação do Planalto de Lichinga recebeu a designação de Vila Cabral. A 21 de Agosto de 1956 foi elevada a categoria de Vila e foi dotada de uma Câmara Municipal, tendo ascendido à categoria de Cidade em 23 de Setembro de 1962, mas viu o seu estatuto como cidade aprovado apenas no dia 26 de Abril de 1969, pela Portaria nº. 16368.

domingo, 18 de janeiro de 2009

UM MORRO QUE IMPRESSIONA

  • Quando, pela primeira vez, pisei terras de Nova Freixo, confesso ter ficado um pouco receoso por aquela côr sanguinolenta que r4essaltava à vista, o pó vermelho que se entranhava nas roupas, especialmente nos tempos em que o cacimbo era rei e senhor, e o medo de estar a caír numa "terra de ninguém", daquelas onde Judas perdeu as botas, que não teria sequer um bar onde se pudesse beber uma "bazooka" de "Laurentina", na falta de outra cerveja capaz de empurrar toda aquela poeira que estava à vista, benza-nos Deus.
  • Do Aeródromo Base 6 até à cidade, ainda eram uns quantos quilómetros para percorrer, mas a carinha que me transportou parecia já conhecer aquele caminho de olhos fechados. A estrada, como imaginava, tinha aversão a essa invensão, muito em uso um pouco por todo o mundo, a que se chamava alcatrão, talvez porque poderia não ser bem aceite um produto que até era negro como a noite escura... e para negro já havia a população autóctone, que não era lá muito clara, confesso, no que mà côr de pele se refere.
  • O Condutor levou-me até a um enorme prédio de apartamentos, uma construção recente e com bastante bom aspecto a que deu o nome de "prédio do João Moreno", presumi que seria pelo facto de pertencer a esse senhor... que logo classifiquei como uma duplicação daquilo que tinha sido o João Ferreira no Negage, quando estive por terras de Angola.
  • Havia ali alguns conhecidos, que logo se prontificaram a facilitar tudo o que se tornasse necessário. Era a solidariedade a funcionar, pensei. Foi-me destinada a fleet que iria ocupar, vi o estado de sonservação em que se encontrava, o mobiliário necessário e fui dar uma volta para conhecer a cidade de Nova Freixo, os seus pontos de interesse, os bares, estabelecimentos, mercado, etc... e vi que tinha de tudo... e não tinha nada.
  • Mas o que me deixou impressionado foi a magnificiência da mole granítica a que chamavam o Morro da Missão do Mitucué, tal como me encanta o Morro do Elefante! Deste tratarei em próximas postagens, porque agora apenas me apetece dizer: A apresentação deste monumento natural do Mitucué é simplesmente extraordinária... e deixou-me entusiasmado. Não terei sido enganado? Não acredito, pois ainda confio no que os meus olhos vêem!
  • A aventura em Moçambique ainda agora começava, mas tinha pernas para andar... e eu não iria saír defraudado daquela aventura agora encetada.