domingo, 22 de fevereiro de 2009

O SER PORTUGUÊS...

...é algo que me interpela, me causa algum tremor quando recordo os que, nos Comandos Africanos, nos GEP´s, nos Flechas, nas diversas Milícias, nos Voluntários ou em qualquer outro organismo, se lutou em África pela continuidade multisecular da Pátria Portuguesa.
Um poeta lusitano escreveu, um dia, que "A MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA" e acredite-se ou não, ele estava absolutamente dentro da verdade, porque quem fala a língua Portuguêsa está verdadeiramente imbuído da "Alma da Pátria" que somos, seja dentro do território nacional seja nas comunidades espalhadas pelas quatro partidas do mundo.
Aquilo que o poeta não disse foi que a Pátria é a "Nossa Terra", porque se formou nos múltiplos combates que foram travados e vêm descritos na nossa história, onde se referem mil dores e alegrias, inúmeros encontros e desencontros, muitas tragédias e comédias, imensas partidas e chegadas.
A Pátria significa o encontro de culturas ao longo destes oito séculos que formaram uma enorme Nação e criaram uma língua que é chamada de Língua Portuguesa.
Fomos uma "Pátria em pedaços repartida", porque andámos "por mares nunca dantes navegados" do Ocidente ao Oriente, de Timor à Amazónia, da África à Àsia, onde os navegadores levaram a civilização cristã... e uma língua, que a falada pelos marinheiros de Cabral ou do Gama, de Perestrelo ou Eanes. Era também esta língua que falavam os irmãos Álvares Pereira, que se enfrentaram em Aljubarrota, tal como acontecia com os Militares que, na Guerra Civil, venceram D. Pedro ou aqueles que se exilaram com D. Miguel.
A Língua de Camões era falada pelos vencidos e pelos vencedores de todas as revoluções, fossem eles algozes ou vítimas. Fomos sempre, de forma inequívoca, Portugueses, para o bem ou para o mal.
Em África deflagrou uma guerra cruel, que colocou Portugueses contra Portugueses, considerando que as forças beligerantes de terra, mar e ar eram compostas por Homens que falavam a mesma língua: a Língua Portuguesa.
Dessa guerra surgiram novos Estados, que assinaram tratados, fizeram leis e constituições, estabeleceram fronteiras, escolheram uma Bandeira e um Hino! A isto chama-se fazer história!
No entanto, a história de vários séculos de vida em comum não se pode apagar com facilidade, nem tampouco se esfuma por decreto. É que, mesmo separados, estaremos para sempre indelévelmente unidos, porque a nossa Pátria é a Língua Portuguesa.
Mas eis aqui a minha revolta:
- O ESTADO PORTUGUÊS RECONHECEU COMO CIDADÃOS PORTUGUESES O FRANCIS OBIKWELU, ALGUNS ATLETAS DE LESTE, COMO O VICTOR TCHIKOULAEV E NÃO SÓ, POIS HAVIA ANDEBOLISTAS QUE INTERESSAVA NATURALIZAR PARA SE CONSEGUIR UMA SELECÇÃO FORTE, OU FIGURAS DO JET 7 OU DO JET 8, E NÃO FALO AQUI DOS ORIUNDOS DOS PALOP, COMO É O CASO DOS BRASILEIROS E MOÇAMBICANOS OU DOS ANGOLANOS E CABOVERDIANOS OU DE OUTROS TERRITÓRIOS DE ALÉM MAR, PORQUE ESSES SÃO FALANTES DE PORTUGUÊS, TÊM A LÍNGUA COMO PÁTRIA...
...MAS, DE UMA FORMA INCRÍVEL, PERMITIU QUE, PELOS NOVOS SENHORES DOS ANTIGOS TERRITÓRIOS PÁTRIOS, FOSSEM MORTOS POR FUZILAMENTO, ACUSADOS DE TRAIÇÃO ÀS TERRAS ONDE NASCERAM, PORQUE PELOS GOVERNANTES DE ABRIL LHES FOI VEDADO O DIREITO A SEREM PORTUGUESES, ELES QUE COMBATERAM AO SERVIÇO DA MÃE-PÁTRIA, DEFENDENDO A BANDEIRA VERDE RUBRA DE PORTUGAL, SOBRE A QUAL UM DIA JURARAM.
Estou convicto de que o sangue desses Mártires, caídos sem Honra por terem sido abandonados à sua sorte, clamam por justiça, porque apenas se limitaram a defender Portugal, a bem amada Pátria de nascimento.
Há uma enorme dívida de sangue a pagar, esse mesmo que foi vertido por aqueles Homens que não tiveram medo de honrar a sua Pátria, pois tinham na Língua Portuguesa o símbolo de união deste País "em pedaços repartido", que amaram acima de tudo, doando-lhe até a própria vida.

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