sábado, 21 de março de 2009

NO SANTUÁRIO DA GUERRA...

Uma secção da FRELIMO
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Dizem os conhecedores dos ideias marxistas-leninistas e conforme foi proclamado pelo líder Mao, que "as populações estão para o guerrilheiro como a água para o peixe". Segundo essa mesma doutrina, as chamadas "lutas de libertação nacional" são uma parte integrante do movimento revolucionário mundial, dirigidas às populações para que as consciencializem politicamente. Mais tarde, numa outra fase, devem dedicar-se à constituição de forças revolucionárias, ficando então prontas para passarem à acção violenta.
A morte do missionário holandês Daniel Boorman, da missão de Nangololo, foi o acontecimento que veio marcar o começo da acção violenta em Moçambique. A força mais importante no início da guerra colonial foi a Frelimo, apesar de vários outros pseudo movimentos disputarem a orientação da luta contra os portugueses, acabando por se fundir ou extinguir, como é o caso do Coremo, Unamo, Molimo, Monalimo e do Fumo.
Em 1973 o Samora Machel (da Frelimo) e o Paulo Gumane (do Coremo) vieram anunciar esse ano como um ano ainda mais sangrento. Num panfleto que foi deixado pela Frelimo após um ataque a um aldeamento do Niassa dizia-se: "neste ano as machambas, os rios, os caminhos e as estradas estarão minadas".
Durante a Operação Corvo III tinha sido feito prisioneiro o chefe distrital de reconhecimento (Sereco) e foi abatido o comandante da Base do Unango, que transportava uma pasta com documentos. No interrogatório, as declarações do prisioneiro permitiram referenciar a localização da Base Gungunhana e o estudo dos documentos veio revelar estar marcada pelo chefe provincial, Sebastião Mabote, uma reunião dos chefes militares da Frelimo no Niassa, na base, para discutirem as acções que se propunham realizar nas regiões de Cantina Duas e Vila Cabral.
Devido ao valor excepcional desta informação, à possibilidade de surpreender uma reunião de líderes da Frelimo e ainda o facto de se dispor de um prisioneiro importante, foi decidido realizar uma operação no maior segredo, empenhando efectivos reduzidos, mas escolhidos.
Assim, pelas sete horas da manhã, descolaram do Aeródromo de Manobra nº. 61, em Vila Cabral, dois aviões, um DO-27 e um T-6, estando este armado com bombas e rocketes, para irem proceder ao bombardeamento do objectivo.
Os homens dos Comandos, que se haviem posicionado a cerca de 1.ooom da base inimiga, num dispositivo de assalto em meia-lua, avançaram após o lançamento das primeiras bombas, atacando os guerrilheiros que procuravam escapar ao bombardeamento.
Com a situação devidamente controlada, procedeu-se a uma busca no interior da base inimiga, onde foi encontrado bastante material, pois como resultado desta operação, foram mortos 22 guerrilheiros e capturadas três metralhadoras anti-aéreas, dois RPG-2 e 30 espingardas de vários tipos e origens, podendo daí inferir-se do grande desenvolvimento que o inimigo já lograra alcançar no Niassa.
Tal como acontecia em Cabo Delgado... e um pouco por toda a imensidão dos matos de Moçambique, havia dificuldade de comunicações, o acidentado do terreno, e a fraca presença de colonos, vinham facilitar bastante a acção da FRELIMO no Niassa, pois esta alargara a sua acção para o Sul, na direcção de Meponda e Mandimba, de onde procurariam atingir o Malawi, percebendo-se a clara intenção de descerem até Mecanhelas e, deste modo, alcançarem a Zambézia e daí se poderem ligar a Tete.
Por outro lado, a FRELIMO fes chegar a sua acção, em simultâneo, ao Leste, em direcção a Marrupa, para daí alcançarem Cabo Delgado.
Um grupo inimigo, que se estimava em cerca de 30 elementos fortemente armados com armas automáticas, morteiros ligeiros e Bazooka, logrou aproximar-se da povoação de Munhehere (antiga circunscrição de Mandimba, Posto de Belém). Atacaram-na de forma impiedosa, mantendo-a debaixo de fogo durante cerca de hora e meia. Incendiaram algumas palhotas e raptaram 45 aldeãos, na sua maioria mulheres e crianças, tendo ainda roubado duas espingardas Mauser.
Após uma tenaz perseguição que foi encetada pelas nossas forças, o grupo inimigo resolveu bater em retirada, atravessando o rio Lugenda, na direcção de Maúa.
Como é fácil inferir-se, a região onde estava implantado o Aeródromo Base nº. 6 não era uma zona de turismo, sendo antes uma região bastante interessante para se viver atento aos sinais que poderiam surgir no horizonte, ou não fosse um santuário da FRELIMO com bastante impacto.
Pela nossa parte, mostrámos estar firmes e vigilantes... e eles que viessem!

5 comentários:

  1. GOSTARIA SE POSSÍVEL, OBTER UMA VISTA AÉREA DE NOVA-FREIXO, PARA TENTAR LOCALIZAR UMA CASA QUE DEIXOU BASTANTES RECORDAÇÕES.
    ESTIVE COMO ESPECIALISTA NO AB6, PASSANDO A MAIOR PARTE DA COMISSÃO 68-70 EM MARRUPA, ONDE JÁ SE PRESENTIA,QUE A NOSSA MISSÃO ERA PENOSA, DE MUITO SACRIFÍCIO, E INGLÓRIA.
    INFELIZMENTE NÃO ERA SÓ EM MOÇAMBIQUE, MAS EM SIMULTANEO NA GUINÉ E EM ANGOLA, ONDE DIÁRIAMENTE TINHAMOS CONHECIMENTO DE BAIXAS.
    SÓ EM PORTUGAL É QUE "FAZIAM ORELHAS MOUCAS".
    O RESULTADO DO ATRASO EM PERCEBER QUE "SÓZINHOS", JÁ SEM ARMAMENTO, E SEM CONDIÇÕES, MUITOS AQUARTELAMENTOS FORAM DESTRUIDOS, TINHAMOS QUE DORMIR AO RELENTO, O 25 DE ABRIL SÓ PECOU POR SER TARDIO.
    COMO MILITAR AFIRMO QUE EM 68 AINDA TINHAMOS "A FACA E O QUEIJO NA MÃO". ESSA ERA A ALTURA MELHOR PARA SE INICIAR A DESCOLONIZAÇÃO,EVITANDO-SE O CAOS.
    NÓS MILITARES TINHAMOS A CERTEZA QUE PORTUGAL NÃO CONSEGUIA MANTER AS TRÊS COLÓNIAS, ERA PRECISO EM 68, PREPARAR A POPULAÇÃO CIVIL PARA A INDEPENDÊNCIA,MAS NADA FOI FEITO, DEIXANDO A SITUAÇÃO AGRAVAR-SE NOS TRÊS CENÁRIOS.
    TODOS SOFREMOS COM A FALTA DE INTELIGÊNCIA E VISÃO DOS NOSSOS GOVERNANTES.
    APRECIANDO SE POSSIVEL A SUA COLABORAÇÃO NO MEU PEDIDO, SUBSCREVO-ME RUI FERREIRA E-MAIL malaia.louco@gmail.com

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  2. Agradeço a quem tiver informações sobre o furriel piloto aviador jose ferreira pimpão que esteve entre 1973/1974 no aerodromo 6 de vila cabral ou nova freixo que me comunique atraves do meu email verappsilva@gmail.com alguma coisa minima que seja pois tenho pesquisado muito e tem sido em vão é muito importante para mim
    Vera Pimpão

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  3. Por acaso, sobrevoei este site. Li a mensagem de Vera Pimpão, ao que parece, deve ser familiar do falecido furriel pilav com o mesmo apelido que conheci no aeródromo de Vila Cabral e que foi vítima dum acidente quando pilotava um T-6, após este ter saído duma revisão mecânica.

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  4. Duas questões:
    1ª Entre Junho e Agosto de 1972 houve um rebentamento de uma mina numa picada entre Mecula e Candulo (Niassa) com 8 mortos e 8 feridos graves. O pessoal dos Hélios foram evacuar os feridos, não me recordo se foram de Nova Freixo ou de Vila Cabral... algum dos pilotos que participam neste Blog tem conhecimento deste acontecimento???
    2º Um Alferes piloto-aviador de nome Brás, faleceu num acidente com um T6 ou um DO27 em Vila Pery, Moçambique, no fim de 1973 ou princípio de 1974, alguém conhecia este alferes e pode dar-me informações sobre ele??
    Pode contactar através do email: carlosribeiro22@hotmail.com

    OBRIGADO

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  5. Poa mero acaso, acedi hoje a este site, quando pesquisava outros itens sobre a Guerra Colonial. Vejo aqui referência a um acidente que, creio, se deu muito próximo de Vila Cabral, onde eu estava em missão de serviço. Tive oportunidade de me deslocar ao local e verificar que o T6 caiu em voo picado, ficando com a hélice e o motor enfiados na terra. Para o piloto, infelizmente, não houve qualquer hipótese de sobrevivência. Não sei se se trata do acidente que envolveu o furriel Pimpão, estou somente a referenciá-lo pela data 1973/74 da comissão de serviço. Se este pouco serve de alguma informação à Vera, aqui fica.

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