quarta-feira, 15 de abril de 2009

35 ANOS DEPOIS...

REGAM-SE OS CRAVOS DE ABRIL...
... ARREBITARÃO?
... tanto que havia para dizer! Os cravos cedo começaram a murchar, porque a Revolução rápidamente fugiu ao esquema árduamente preparado pelos chamados Capitães de Abril... talvez porque alguns não eram Capitães, outros não teriam sido promovidos naquela data... e haveria outros que nem sequer mereceriam o posto, tal a indignidade mostrada durante aquilo que se convencionou chamar de PREC.
Encontrava-me eu em Nampula - Moçambique - quando se deu o golpe que derrubou o Governo de Marcelo Caetano. A maioria das pessoas apenas se terá apercebido bastante tarde, porque não seriam muitos os que, numa terra em que o mata-bicho se tomava cerca das 06 horas da manhã, teriam acesso às notícias provenientes de Lisboa.
Soube do golpe porque a área envolvente ao Comando Militar de Nampula, à Capela Militar, Unidades sediadas na cidade e à Cantina da Manutenção Militar, haviam sido vedadas e os Militares de serviço só me deixaram passar poprque estava fardado e apenas ia à Manutençao buscar alguns géneros necessários para o quotidiano.
Perguntei a um Oficial o que se estaria a passar... e ele disse-me que tinha havido um golpe de estado em Portugal e que o Governo fôra derrubado e mandado para o exílio.
Acontece que pouco tempo antes tinha havido um pronunciamento feito a partir do Regimento de Infantaria 5, das Caldas da Rainha, pelo que logo me apercebi que as mudanças iriam ser muitas e as Guerras em África iriam ter ali o seu epílogo.
Era só esperar-se para vêr... mas a ansiedade começou a espelhar-se nos rostos da comunidade civil, co9meçou a dar-se uma explosão de partidos e movimentos, uns com uma expressão, outros com outra, pois enquanto uma parte da população era favorável à continuidade de Portugal em África, outros achavam já ser tarde que tal facto viesse a acontecer.
No mato, algumas Unidades do Exército, não sei se por determinação dos Comandos se de "motu próprio" dos Militares dessas Unidades, resolvem abrir-se ao convívio "fraterno" com a FRELIMO - precisamente o inimigo de ontem - e chegam ao ponto de entregar as armas e os aqurtelamentos, dando assim azo ao riso e à chacota do próprio Samora Machel, que nem queria acreditar ser possível tal traição aos sagrados deveres a que o Juramento de Bandeira os obrigava. No primeiro comício no Estádio da Machava, Samora disse precisamente jamais lhe haver passado pela cabeça tal desatino e sinal de cobardia. É que, entretanto, alguns outros, mais conscientes de que era preciso manter uma certa dignidade, iam sendo sacrificados em holocausto pela Pátria, como foi o caso do Capitão Piloto Aviador Fernando José Castelo, cujo helicóptero foi abatido pela FRELIMO, que continuava a lutar, aproveitando as fragilidades provocadas pela "desmobilização" daqueles de quem Samora falava.
Trinta e cinco anos após a revolução... é tempo de escutar as consciências e dizer até que ponto foi cumprido o chamado programa do Movimento das Forças Armadas. Porque democracia com fome e sem trabalho, sem segurança, sem saúde... será tudo menos democracia! Há mais liberdade ou liberdade demasiada? Portugal mudou muito, é certo, mas a corrupção, o caciquismo, o novo-riquismo das classes políticas, que são eternas beneficiárias dos lugares de posição cimeiras nas grandes empresas ou instituições do País... que cada vez se confronta mais com a certeza de que o 25 de Abril foi bonito - "foi bonita a festa, pá, estou contente..." - mas o dia seguinte veio abrir chagas difíceis de cicratizar, deixou a sociedade doente... e o número de pobres assustadoramente aumentada! VALEU A PENA?

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