domingo, 12 de abril de 2009

RESSUSCITADOS COM CRISTO

Ainda tenho presente a primeira Páscoa que passei no AB6, ou melhor dizendo, em Nova Freixo! Foi uma Páscoa não muito diferente daquelas a que estava habituado viver em Leiria ou em Angola, pois Cristo e a Sua Paixão e Morte na Cruz são referência indelével do cristão em qualquer parte do mundo, são o sinete que marca aqueles que foram Baptizados em Cristo.
No entanto, há tradições que se verificam um pouco por todo o lado, até naquilo que se come do dia da Ressurreição. E Nova Freixo não fugia muito àquilo que era a tradição pascal, porque o que interessava, acima de tudo, era viver esta data em comunhão com a Igreja Universal sem descurar os costumes locais, tais como a alimentação, os cânticos religiosos e todas as manifestações que tornavam mais rica a celebração pascal.
Recordo haver um problema grave a resolver no que respeitava à proibição de se comer carne nos dias de jejum e abstinência, segundo determinava a Santa Igreja. Sabemos que o peixe é hoje bastante caro, agora calcule-se como o seria numa terra do interior, sem mar ou rios onde pescar. O peixe mais próximo vinha do Lago Niassa... quando vinha! Havia a possibilidade do bacalhau... mas onde o comprar? Havia marisco, mas era pior comer-se camarão, sapateira ou outros mariscos ou peixes como a corvina, a pescada ou similares, como alguns cristãos faziam, mandando vir de Nampula.
Os missionários diziam então que ninguém ficava impuro por comer carne. “Ai senhor padre, mas sempre foi assim. Os nossos pais era assim que faziam” - lamentavam-se algumas devotas - “O que posso então comer?”. "Olhe... coma comidas simples, pobres. Nada de comidas requintadas!". “Basta isso?!” - perguntavam. "É a Páscoa uma ocasião em que devemos procurar ser bons!".
Parece que ainda me soam aos ouvidos os cânticos em língua Macúa, entoados pelos alunos do Seminário de Nova Freixo, acompanhados pelos batuques, que pareciam dizer:
"CRISTO RESSUSCITOU, ALELUIA! RESSUSCITOU E VENCEU A MORTE, PARA REDENÇÃO DO HOMEM DE TODOS OS TEMPOS, EM TODOS OS LUGARES!".

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