segunda-feira, 18 de maio de 2009

Terra Moçambicana...

...terra de gente forte, generosa, cooperante, que é capaz de amar e sofrer, de lutar e morrer, de se dar em plenitude por causas em que acredita! Sim! Nova Freixo poderia mudar de nome, de nacionalidade, de destino... mas jamais mudará de princípios, pois esses foram ditados pela constância daquelas gentes que, em terras remotas, ousaram ser os obreiros de uma cidade de que se pudessem orgulhar, num qualquer futuro que lhe viesse a ser propiciado num amanhã que apenas pretendiam viesse a ser ridente, uma cidade onde as pessoas sentissem que valera a pena a luta encetada para que os seus filhos pudessem ser felizes !
Foi a vontade de pessoas como aquelas que constituíam as famílias de Homens como eram o Altino Saraiva , os Sobral, o Sá Leão, o Raimundo, o Caldeira, o João Moreno, o Cardoso, o Valente, o Vasconcelos, o Ribeiro, o Sousa das Infras da Força Aérea e tantas outras que a Nova Freixo quizeram dedicar o melhor de si mesmos, na consecução de um projecto de vida para os seus filhos fosse capaz de lhes servir como futuro numa nova Pátria em embrião.
Poderia dizer-se tanta coisa sobre esta terra, mas tudo agora será utópico, porque a realidade de Nova Freixo é outra, em absoluto. O Colégio de São Teotónio, onde cheguei a leccionar, não é mais o mesmo colégio, como o não é o dia-a-dia do Agrupamento de São Miguel do Corpo Nacional de Escutas, onde o "Pila" e o irmão davam água pela barba ao Chefe, ao mesmo tempo que a Paula Cordeiro, a Isabel Sobral, o Sabino, o Zé Manel e o Mário Sá Leão, o Carlos e o Zé Sobral, o Carlos Ribeiro, o João Teixeira, o Jorge Maia e o irmão, o Adérito, o Alberto Santos, o Gama, o Luis Mesquita e o Salvador Rombe iam tentando compreender o espírito de Baden-Powell, através do "Sistema de Patrulhas" e do "Escutismo para Rapazes".
Parece que ainda vejo a Goreti Vasconcelos a ensinar os mais novitos segundo o "Manual do Lobito", entre os quais o Silvio Mesquita, o Fernandito, o Luis Sobral, o Paulito Valente, a Marina Sá Leão, a Amyraly Cardoso e todos os outros membros de uma Alcateia que procura ser hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje! Nova Freixo parecia poder tornar-se uma cidade referência no Distrito do Niassa, ao contrário de Cuamba, que mesmo tendo recebido a dádiva de um polo Universitário, parece ter regredido no progresso... vá-se lá perceber bem porquê! No entanto sou dos que acreditam que o espírito dos fundadores não deixará de se tornar actuante, podendo ainda esta terra, no porvir, tornar-se um polo indesmentível do progresso de Moçambique! Oxalá!

domingo, 10 de maio de 2009

Recordações...

A Igreja de Marrupa
*
No meu subconsciente permanecem, indeléveis, algumas imagens do Niassa que me trazem mil e uma saudades. De Nova Freixo ao Mitucué, do Mitucué a Mecanhelas, de Mecanhelas ao Lúrio, Vila Junqueiro, Mocuba, Marrupa, Belém, Maúa, Vila Cabral... encontro terras onde consegui ter amigos, solidariedade, hospitalidade, espírito de partilha para além do que poderia supor-se entre aquelas gentes, que não me conheciam, mas me tomavam a mão e diziam: "Minino: és benvindo na "xitaca"! Eu vai na machamba buscar uns coisa para os almoço, e conta contigo no mesa, tá bem?". Aqueles "chamuares" eram gente grande! Recebiam o "mekunha" com a amizade que só o Povo Moçambicano sabia dar! Era "maningue" bom haver gente assim!
Olho, em pensamentos, toda a majestade do Morro do Elefante - ex-libris de Nova Freixo. Quantas vezes, lá bem do cimo deste rochedo em forma de paquiderme, posso vêr a "lângua" de Nova Freixo, onde as enxurradas levam os peixes a saltar, acrobáticamente, e se "exibem" por completo fora das águas, mais parecendo estarem à procura de algo que se coma no meio do capim verdejante das margens.
Quem vê pensará serem esses saltos um sinal de inequívoca alegria, mas sabe-se que é apenas o extertor da morte que se manifesta! Os homens e as mulheres do aldeamento aproveitam aquela dádiva dos céus e lá vão eles, de cesto na mão, apanhando todo o peixe que podem, porque dará para matarem a "malvada" da fome, que é o pão nosso de cada dia daquelas gentes!
Continuando a olhar em redor, vejo agora, lá bem perto da linha do horizonte, debaixo daquele lindo céu azul, onde o Sol estará prestes a adormecer, o espelho brilhante do lago Chirua, logo após a enorme massa líquida do majestoso Lago Niassa.
Sinto o resfolegar do combóio para Vila Cabral, que se estende pela imensidão de uma terra em que está patente o sinal de generosidade daqueles que a têm no coração, depois de nela haverem dado o melhor de si mesmos para que Moçambique fosse uma terra de futuro! Porque Moçambique foi para a independência, há sempre a tentação de calar a história daquilo que foi o seu passado. Mas o passado está indelévelmente marcado pelo empenho dos Portugueses que legaram a Moçambique um passado de que se podem orgulhar os Moçambicanos, como os Portugueses se sentem orgulhosos por tudo o que lá souberam construír.
Podemos dizer, sem dúvida, que Moçambique foi obra de Portugueses, por muito que custe aos Moçambicanos. Houve erros? Onde será que os não houve? E depois da independência... foi tudo ouro sobre azul? Não houve mais problemas? Claro que houve... e continuará a haver enquanto não se mudarem as consciências dos governantes, que teimam em vêr apenas as culpas dos antigos colonizadores em todos os "azares" que lhes vão acontecendo... 34 anos anos após a independência. Até nisto há uma clara herança Portuguesa, pois também aqui os partidos da esquerda indicam os governos que os antecederam como responsáveis por todos os erros que vão cometendo.
Feitios...