domingo, 10 de maio de 2009

Recordações...

A Igreja de Marrupa
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No meu subconsciente permanecem, indeléveis, algumas imagens do Niassa que me trazem mil e uma saudades. De Nova Freixo ao Mitucué, do Mitucué a Mecanhelas, de Mecanhelas ao Lúrio, Vila Junqueiro, Mocuba, Marrupa, Belém, Maúa, Vila Cabral... encontro terras onde consegui ter amigos, solidariedade, hospitalidade, espírito de partilha para além do que poderia supor-se entre aquelas gentes, que não me conheciam, mas me tomavam a mão e diziam: "Minino: és benvindo na "xitaca"! Eu vai na machamba buscar uns coisa para os almoço, e conta contigo no mesa, tá bem?". Aqueles "chamuares" eram gente grande! Recebiam o "mekunha" com a amizade que só o Povo Moçambicano sabia dar! Era "maningue" bom haver gente assim!
Olho, em pensamentos, toda a majestade do Morro do Elefante - ex-libris de Nova Freixo. Quantas vezes, lá bem do cimo deste rochedo em forma de paquiderme, posso vêr a "lângua" de Nova Freixo, onde as enxurradas levam os peixes a saltar, acrobáticamente, e se "exibem" por completo fora das águas, mais parecendo estarem à procura de algo que se coma no meio do capim verdejante das margens.
Quem vê pensará serem esses saltos um sinal de inequívoca alegria, mas sabe-se que é apenas o extertor da morte que se manifesta! Os homens e as mulheres do aldeamento aproveitam aquela dádiva dos céus e lá vão eles, de cesto na mão, apanhando todo o peixe que podem, porque dará para matarem a "malvada" da fome, que é o pão nosso de cada dia daquelas gentes!
Continuando a olhar em redor, vejo agora, lá bem perto da linha do horizonte, debaixo daquele lindo céu azul, onde o Sol estará prestes a adormecer, o espelho brilhante do lago Chirua, logo após a enorme massa líquida do majestoso Lago Niassa.
Sinto o resfolegar do combóio para Vila Cabral, que se estende pela imensidão de uma terra em que está patente o sinal de generosidade daqueles que a têm no coração, depois de nela haverem dado o melhor de si mesmos para que Moçambique fosse uma terra de futuro! Porque Moçambique foi para a independência, há sempre a tentação de calar a história daquilo que foi o seu passado. Mas o passado está indelévelmente marcado pelo empenho dos Portugueses que legaram a Moçambique um passado de que se podem orgulhar os Moçambicanos, como os Portugueses se sentem orgulhosos por tudo o que lá souberam construír.
Podemos dizer, sem dúvida, que Moçambique foi obra de Portugueses, por muito que custe aos Moçambicanos. Houve erros? Onde será que os não houve? E depois da independência... foi tudo ouro sobre azul? Não houve mais problemas? Claro que houve... e continuará a haver enquanto não se mudarem as consciências dos governantes, que teimam em vêr apenas as culpas dos antigos colonizadores em todos os "azares" que lhes vão acontecendo... 34 anos anos após a independência. Até nisto há uma clara herança Portuguesa, pois também aqui os partidos da esquerda indicam os governos que os antecederam como responsáveis por todos os erros que vão cometendo.
Feitios...

3 comentários:

  1. PARABÉNS PELA SUA INICIATIVA. FEZ-ME RECORDAR OS ANOS 68 E 70 QUANDO CUMPRI A COMISSÃO PELA FAP NO AB6, E POR COINCIDENCIA CONHECI A FAMILIA SARAIVA.
    LEMBRO-ME DE UMA DAS FILHAS, POIS VEIO A CASAR COM UM CAMARADA MEU DE NOME RUI MEDEIROS, E REENCONTREI-OS NA GOLEGÃ E POSTERIORMNTE EM ALCOCHETE.
    INFELIZMENTE PERDI O CONTACTO, MAS A LEMBRANÇA PERPÉTUA. O MEU OBRIGADO
    RUI FERREIRA

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  2. Eu também vivi em Nova Freixo!
    Jamais esquecerei!!!!
    Tenho muitas saudades.
    Obrigada pelos lindos textos e fotos!

    menaribeiro@hotmail.com

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  3. Conheci Nova Freixo de passagem para a Missão Católica do Mitucué , onde em julho de 1969 fui integrar o júri de exames da 4ª classe. Nunca poderei esquecer as gentes e a terra do Mitucué. O chão que pisávamos parecia de seda, tal era a quantidade de suma-a-uma que caía das árvores.Os frades e as freiras eram as pessoas mais cativantes que conheci .Eram todos italianos menos um " irmão" de Ourém.Estava eu lá quando o Homem chegou pela 1ªvez à lua. O padre Ferrer era o responsável. Encontrava-me a trabalhar em Vila Cabral por ter acompanhado o meu marido que se encontrava lá em missão militar. Nunca esquecerei aquelas terras. Fui feliz, muito feliz, naquelas paragens, só atormentada pelas sadades que sentia dos meus pais. Hoje já não tenho pais e por outros motivos já não sou feliz.

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