domingo, 23 de agosto de 2009

NOVA FREIXO - NIASSA - MOÇAMBIQUE

A primeira vez que ouvi falar do Niassa, de Moçambique, foi quando frequentei a escola primária, nas aulas de geografia. Nesse tempo ainda se não falava de Nova Freixo, talvez porque se trataria de uma povoação sem grande expressão, um entreposto onde o combóio para Vila Cabral aproveitava para fazer o abastecimento de água e lenha ou carvão, nos tempos das velhas máquinas a vapor, que demoravam uma vida a percorrer os caminhos que, vindos da Beira distante, transportavam pessoas e bens até à Capital do Niassa, depois de o haver feito noutras estações e apeadeiros que se encontravam no seu percurso.
Na escola não nos sabiam dizer como eram aquelas terras, porque apenas se sabia que eram terras onde havia uma riqueza ímpar em fauna e flora, em madeiras exóticas e ricos minérios no subsolo... não faltando nestes as maravilhosas pedras semi-preciosas, de qualidade superior, que faziam as delícias dos "garimpeiros", fossem estes de ocasião, que tiveram sorte, ou profissionais competentes que tiravam das minas riquezas e estatuto.
As minas, as opalinas, as granadas ou as esmeraldas eram por demais cobiçadas, e muitos faziam delas a sua razão de viver, não lhes importando se os "machambeiros" tinham mais ou menos apreço por aqueles que se dedicavam à prospecção destes minérios, porque estes procuravam ganhar o pão trabalhando árduamente aquelas terras vermelhas cujo pó, muito fininho, mais parecia talco que houvesse mudado de cor, lhes entrava pelas narinas, pela boca, pelos olhos... e os sufocava de uma forma terrível, especialmente quando o calor se fazia sentir, a humidade se entranhava na pele e nós, a testa pejada de suor, parecia que andavamos a brincar ao Carnaval fora do tempo! Trabalhavam ou MANDAVAM que alguém trabalhasse por eles...
Valia bem a pena estar a tomar banho para limpar a poeira! Esta estava no ar, em suspensão, e ia cumprindo a sua missão... voltava-se a ir para o chuveiro uma, duas, três... dez vezes, mas o pó continuava a fazer das suas... a sufocar... a "pintar" de vermelho o rosto de quem andava na rua, trabalhando, brincando ou passeando!
Com o andar dos tempos, o conhecimento das coisas foi mudando... as notícias de Moçambique chegavam à Metrópole distante e sabiam-se mais coisas sobre aquelas terras... mas ninguém contava a ninguém que as terras do Niassa eram em absoluto terras por desbravar, onde as estradas não passavam de uma pista de aventuras, como se fosse uma pista de terra preparada para um qualquer raly.
Ouvira falar no Paris-Dakar, que era corrido no deserto... mas podia muito bem acontecer no Niassa, pensava cá para comigo, mesmo sabendo que a savana Moçambicana era muito diferente da paisaigem que se via nos desertos da Mauritânia, do Tanganica, do Namibe, de Moçamedes... ou do Saara.
No entanto... as acácias e as mangueiras sempre iam dando sombras a Nova Freixo... e não muito longe havia uma colossal mancha verde, que eram os campos de chá de Vila Junqueiro, onde se encontravam os montes Namuli e Li-Cungo, que davam nome aos afamados chás da Companhia da Zambézia. Ali a terra não era vermelha, porque o verde pintava toda a vasta região do Gurué.
Repare-se na fotografia acima inserida: No meio do verde das mangueiras e abacateiros, a casa colmada de alguém que nem saberá a sorte que tem por ter sombras naturais em tal profusão.
Contra tudo e contra todos... Nova Freixo é uma saudade que me ficou!

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