quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Subsídios para a História moçambicana

O Reverendo Urias Simango e a família
Conheci o Revº. Urias Simango e a Drª. Joana Simião em Nampula, nos anos 70. O Reverendo Simango era uma pessoa afável, generosa e um grande exemplo de Moçambicano que amava a sua terra.
Residia o Revº. na cidade da Beira quando a FRELIMO, no dia 11 de Outubro de 1974, enviou alguns oficiais daquele Movimento procurarem o Reverendo na sua residência para o prenderem, mas chegaram tarde porque o Presidente do Partido de Coligação Nacional - PCN - havia abandonado o território Moçambicano poucas horas antes.
Sem saber o que se estava a passar no seu País, a Drª. Joana Simião desembarcou no Aeroporto da Beira no dia 26 de Outubro. Nessa mesma noite foram dois Oficiais do COPCON buscá-la sob prisão à casa do secretário do PCN e conduziram-na ao Administrador Ahmed Haider, na Ponta Gêa. Também foi preso, na Beira, o secretário do PCN para as Relações Exteriores, Arcanjo Faustino Kambeu.
Na mesma altura, na Suazilândia, dois agentes da Polícia Secreta da FRELIMO tentam raptar o secretário para a Organização do PCN, Manuel Lisboa Tristão, mas este, alertado por alguém, conseguiu despistar os seus perseguidores e atravessar a fronteira em direcção a Joanesburgo, de onde seguiu para Nairobi.
O Departamento de Segurança da FRELIMO - DS - estabeleceu entretanto que o Revº. Simango deveria encontrar-se em Nairobi, para onde já havia seguido o Padre Mateus Pinho Gwenjere, conselheiro nacional do PCN. Estes factos não levaram à desistência da FRELIMO dos seus intentos, pelo que procurou reunir o máximo número de oponentes seus para fazer a sua apresentação pública em Nachingweia no mês de Abril do ano seguinte
Aliciando o director do Special Branch do Malawi, Focus Martin Gwede, a FRELIMO veio a conseguir que este director organizasse a ida de Urias Simango a Blantyre a uma reunião de alto nível que ali iria decorrer. O director Gwede contacta o ministro do Trabalho do Malawi, Albert Muwalo Nqmayo e coloca-o ao corrente da situação. O ministro envia uma carta ao Reverendo Simago, através da Embaixada do Malawi em Nairobi, informando o presidente do PCN que o governo do Presidente Hastings Banda estaria disposto a mediar um encontro entre ele e a FRELIMO, ao qual já dera o seu aval.
Repare-se que a prisão da Drª. Joana Simião foi efectuada por Tropas Portuguesas. Eu era Militar em Comissão de Serviço e muitas vezes me perguntei o porquê de tal prisão. Como conclusão apenas posso dizer que por aqui se vê até que ponto Otelo Saraiva de Carvalho é réu de sangue em todo este processo, para lá de outros relacionados com as FP-25. Coisas da vida revolucionária, dirão alguns!... SERÁ? Na próxima aprofundarei mais um pouco este assunto, que de tão sórdido ainda não o consegui ultrapassar... pois o sangue de muitos inocentes continua a clamar por justiça.
- CONTINUA-

Sem comentários:

Enviar um comentário