quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Wiriyamu... o que foi?

Em Dezembro de 1972 já eu estava em Moçambique, mais concretamente em Nova Freixo - hoje Cuamba - ao serviço da Força Aérea no Aeródromo Base nº. 6. Nas minhas constantes consultas à memória do que foi a estadia em África, relembro situações vividas, acontecimentos mais marcantes, histórias boas ou más do meu quotidiano em terras distantes, que foi fértil em vivências que me desfilam pelo pensamento e me conferem as saudades que imensas.
Já passaram 38 anos... e desse tempo sempre me ficou uma pergunta, para a qual jamais encontrei uma resposta capaz de ser considerada plausível e digna de aceitação: O QUE SE PASSOU EFECTIVAMENTE NO DIA 16 DE DEZEMBRO NO DISTRITO DE TETE?
Até ao dia do meu regresso ao então Portugal Metropolitano, nunca consegui perceber bem aquilo que se afirma ter acontecido e bem assim onde se situava, na realidade, a aldeia de Wiriyamu.
Apareceram publicados alguns documentos escritos e houve testemunhos dos missionários, quer Combonianos quer Padres Brancos, que afirmam ter visto e ouvido os autores materiais da chacina a descreverem as brutalidades que terão feito às populações e como, dias depois, foram mandados para enterrar as vítimas, não levando armas para que pudessem ser massacrados.
Os helicópteros que os tinham levado não os vieram recolher, como havia sido combinado, e eles acabaram por cair muma emboscada, que vitimou muitos deles.
O que surpreende é que o à época comandante-chefe das forças armadas em Moçambique, Kaúlza de Arriaga, tenha continuado a negar a existência de Wiriyamu cerca de 27 anos depois, conforme se pode lêr na entrevista concedida ao jornal «Público», de 13 de Março de 1999. Nessa entrevista, o General Kaúlza dizia serem apenas «rumores de abusos das tropas», e era um escândalo montado pelos Padres de Burgos. Afirmou ainda que os três inquéritos feitos nada descobriram, concluíndo que «...não ocorreu nada em Wiriyamu. Não houve qualquer crime em Wiriyamu».
Porque não tenho certezas de nada, especialmente porque carecem de rigor algumas declarações feitas por missionários, especialmente no respeita ao então Bispo de Nampula, D. Manuel Vieira Pinto ou aos "Padres do Macúti, mantenho as minhas dúvidas sobre um massacre que foi denunciado pelos missionários. Em Londres, quando o Reverendo Hastings deu a conferência de imprensa no "Times"... o Dr. Mário Soares esteve presente na mesa, mas isso já são "outras políticas"!
Muitos dizem que só os políticos e as altas patentes militares de Moçambique é que afirmam que nunca souberam de nada, por persistirem na tentativa de branquear a História! Será?

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

MOÇAMBIQUE... ONTEM E HOJE!

Quem ontem andou por terras de Moçambique, tem sempre curiosidade em ir sabendo aquilo que por lá vai acontecendo, como se desenvolveram alguns recantos que quase viram nascer ou qual terá sido o destino dado a algumas infraestruturas que ajudou a construir.
Não será bem o meu caso, digo-o de consciência tranquila, pois apenas deixei construído um edifício, que teve as ajudas do Governador Geral, Engº. Pimentel dos Santos e dos Governadores do Distrito, General Melo Egídio e Coronel Guardado Moreira para a sua edificação. Pouco tempo depois de inaugurado, foi entregue aos cuidados da Paróquia de S. Miguel de Nova Freixo, na pessoa do então Rev ª. Padre Mazula... que veio a abandonar a Consolata, casou e acabou por ser um membro destacado da Frelimo, segundo foi divulgado.
Esse edifício foi construído a expensas do então Estado Português de Moçambique e ficou na República Democrática de Moçambique para uso de quem dele pudesse necessitar... podendo até ser utilizado pela Associação Moçambicana de Escuteiros , porque não?
Teria pena, isso sim, que o fruto de tantos trabalhos e canseiras sem fim, pudesse vir a ter um fim inglório, pois aqueles que foram "miúdos" no Agrupamento 264 do CNE - S. Miguel, puzeram muito do seu entusiasmo na decoração da "sua" sede, que era a menina dos seus olhos, jamais admitiriam saber que as crianças e jovens Moçambicanos de hoje haviam sido privados de um espaço que havia sido feito para eles!
Hoje sei haver esperança entre os jovens Moçambicanos, que apenas pretendem ter acesso a algo que lhes tem sido sistemáticamente vedado: À FELICIDADE!!!
Sabe-se haver ainda muitas carências, mas as autoridades saberão que não podem adiar por muito tempo a concessão de uma vida digna àqueles que têm vivido na esperança de uma viragem nas suas vidas! Que melhor tempo para se dar livre curso à alegria e união entre todos os Povos de Moçambique?
Um Novo Ano é sempre portador de uma esperança que renasce, de um desejo que se espera cumprido durante os restantes meses de cada ano que vai passando!
Kanimambo! Ambanine, Moçambique!