sábado, 27 de março de 2010

O Parque da GORONGOSA... I

O "comandante Cara Alegre cumprimenta um Soldado Português
Durante dez anos (1964/1974), a FRELIMO - Frente de Libertação de Moçambique -desencadeou luta armada com vista à independência de Moçambique, a qual viria a terminar pouco depois do golpe militar em Portugal ocorrido a 25 de Abril de 1974, mais concretamente aoós a assinatura do Acordo de Luzaka a 7 de Setembro do mesmo ano, assinado entre os representantes do "governo de Lisboa" e uma delegação da Frelimo, chefiada pelo seu presidente Samora Moisés Machel.
Desde 1970 que a guerra, iniciada no norte, havia atingido o centro de Moçambique pelo que o Parque Nacional da Gorongosa veio a ressentir-se devido a algumas acções desenvolvidas pela Frelimo, nomeadamente depois de um ataque intimidativo feito às instalações do acampamento do Chitengo, em 1973, quando o mesmo se encontrava repleto de turistas. Esta situação levou as autoridades civis e militares de Moçambique a colocar no Parque uma Companhia de Militares portugueses e um grupo equivalente em número de homens armados da Organização Provincial de Voluntários – OPV.
A situação de guerra favorecia a acção dos caçadores furtivos, tanto residentes como idos das cidades e vilas, que se dedicavam a abater, indiscriminadamente, os grandes animais, sobretudo os elefantes.
Logo após o “25 de Abril” tudo se veio a agravar, devido à indisciplina que passou a reinar nos homens da OPV, também eles predadores dos efectivos dos grandes animais, quer para alimentação quer para o negócio da carne e do marfim. Os próprios guardas e os trabalhadores do Parque em geral, afectados pela confusão reinante, caíram numa indisciplina total, deixando de cumprir cabalmente as suas tarefas e passando os dias a reivindicar condições que eram impossíveis de satisfazer no momento que se estava a atravessar.
A primeira medida para acabar com a anarquia foi proceder à desmobilização e retirada do grupo da Organização Provincial de Voluntários, o que veio a acontecer em fins de Julho, cerca de 3 meses após o “25 de Abril” e depois de uma autêntica odisseia, foi possível, com o apoio das das tropas portugueses instaladas no Chitengo, desarmar e retirar os 120 homens da OPV e enviá-los para Lourenço Marques, onde tonham sido recrutados e preparados para a missão no Parque. O que tornou tudo mais difícil foi o facto de a retirada do grupo não ter sido decidida nem apoiada pelos altos comandos da OPV.
Esta é uma história que está morta e enterrada, como o estão tantas outras que ocorreram nesse período do fim da chamada “guerra colonial” e na transição que se seguiu até à independência de Moçambique, em 25 de Junho de 1975!
Imediatamente após a saída dos “voluntários”, foi resolvido contactar o mais breve possível os responsáveis da Frelimo que estariam sediados algures na base da Serra da Gorongosa e na margem esquerda do rio Púnguè. Dispunha-se de informações que existiriam tais bases e que o comandante da região seria um guerrilheiro famoso conhecido por "Cara Alegre".
Foi elaborada uma mensagem dirigida aos combatentes da Frelimo, exortando-os à defesa o Parque e a darem imediato apoio aos seus responsáveis, para resolução de graves problemas que ali decorriam, nomeadamente a caça furtiva e indisciplina entre os trabalhadores.
Aceite que foi a mensagem, entregue graças às boas relações do comerciante Santos Mosca com a Frelimo, dá-se o primeiro contacto com a população, que se concentrou frente ao complexo comercial e industrial de Santos Mosca e o comandante Cara Alegre foi convidado para se dirigir ao quartel militar, onde o Comandante do Batalhão Português, o Tenente-Coronel Cavaco, acompanhado dos representantes das autoridades locais e do Parque Nacional da Gorongosa, o recebeu no seu gabinete e lhe dirigiu algumas palavras de boas vindas, que foram retribuídas emotivamente pelo representante máximo da Frelimo na região da Gorongosa.

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