terça-feira, 9 de março de 2010

Terras do Niassa... e não só!

Com o correr dos tempos, vão-se diluíndo algumas imagens da que um dia se chamou Nova Freixo, a Cuamba pós independência, que ainda está bem vincada na memória de quem um dia por lá passou, cumprindo o dever patriótico de defender um rincão de uma terra que um dia foi Portugal em África.
Não era uma cidade cosmopolita, de grandes e largas avenidas a fervilhar de carros e pessoas na hora de ponta, mas sim uma tranquila cidadezinha de interior, situada naquelas terras vermelhas do Niassa que nos deixava a pele parecida com a dos "pele-vermelhas" americanos depois que se dava um passeio nos velhos Willis ou Land Roveres da "Tropa", já não falando dos tão conhecidos Unimog ou nas Berliett, que enchiam as poeirentas ruas de nuvens de um pó fininho que nos entrava nas gargantas e convidava a beber umas "basookas" nos bares do Sobral ou do Caldeira... se fossem estes que estivessem mais à mão, porque havia sempre a hipótese de ir ao Pontes ou ao Raimundo...
O que é verdade é haver em nós, que por lá andámos, um sentimento de nostalgia sempre que se fala de Moçambique, ou porque um qualquer governante resolveu ir "passear" até àquela terra do Índico, aproveitando o facto de ter a viagem e estadia por conta do Povo... como outrora acontecia aos "Maçaricos" que para lá iam calcorrear as matas, dar uns tiritos, comer umas mangas ou uns abacaxizinhos, beber umas Laurentinas e, nos momentos de ócio, passearem todo o "charme" nas sanzalas, feitos uns D. Juans de trazer por casa... porque isso era coisa também acontecia por lá, acredite-se ou não.
No Colégio de São Teotónio as jovenzinhas suspiravam quando viam passar os galantes e garbosos homens da Força Aérea... talvez com a secreta esperança de poderem um dia voar para a Metrópole nas asas de um pilotaço ou metidas na caixa de ferramentas de uma mecânico de avião... quem sabe?
A terra é realmente vermelha, mais parecendo ter sido salpicada com o sangue dos nossos rapazes, que se terão lembrado de fazer um jeitinho à Frelimo, dando o peito generoso às balas inimigas.
Muitos anos já são passados... mesmo que o Mitucué continue no mesmo sítio, tal como o Morro do Elefante! No entanto, a nossa saudade ainda anda por lá, ora junto à estação, assistindo ao rangue-rangue de uma chegada do "São combóio", participando numa noite de fados no "Solar do Açoreano" ou numa jogatana de futebol de salão no campo do Desportivo...
...e dizem que a saudade não mata, o que deve ser verdade, mas dói tanto...

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