domingo, 2 de maio de 2010

A Operação ZETA...

Uma das mais conseguidas e bem organizadas operações militares acontecidas em Moçambique, no âmbito da Guerra do Ultramar que ali decorreu, simultâneamente como Angola e a Guiné, foi sem qualquer dúvida aquela que concertou uma acção entre o Comando do Sector de Mueda, o Comando das Tropas Pára-quedistas e a Força Aérea Portuguesa, que conseguiram reunir as condições necessárias para se desencadear a Operação Zeta.
A zona de intervenção constava de um local com terrenos bastante pantanosos, polvilhado de grandes escarpados e arribas, com arbustos rasteiros e linhas de água, o que desde logo levou os responsáveis pela logística a perceberem estar-se perante uma impossibilidade em assaltar os acampamentos da FRELIMO, que haviam sido detectados por via aérea, sem que fossem colocados em causa os princípios da surpresa e da eficácia.
Visando ultrapassar essas dificuldades, prepararam-se duas Companhias de Pára-quedistas para tomarem uma posição no terreno que fosse dominante através do envolvimento aéreo, saltando de pára-quedas.
Depois de terem saltado os precursores para efectuarem a balizagem, surgiu a sobrevoar a zona de intervenção o avião que transportava o primeiro grupo de combate... e os olhares dos mais nervosos procuravam abstrair-se de tudo o mais que não fosse o imprevisto da chegada ao solo. Logo que os largadores deram o sinal, os homens da Boina Verde perfilaram-se na carlinga dos aviões, verificaram e ajustaram os equipamentos e lá saíram eles, apressados, saltando para o espaço que os separa daquelas terras alagadiças situadas nas margens do rio Rovuma.
Era belo o poderem apreciar lá do alto o serpentear das águas correndo no leito do rio ou aquelas nesgas de areia para onde foi preparada a aterragem... mas os Pára-quedistas não se esqueciam do perigo de poderem estar na mira da arma de um inimigo qualquer que estivesse mais atento.
Chegaram ao solo rápidamente, como mandam as boas regras nos saltos operacionais, e logo trataram de reunir os grupos de combate, visando a defesa da zona e a segurança dos restantes companheiros que se deslocaram por via terrestre.
Foi assim que mais de duzentos Pára-quedistas surpreenderam e tomaram de assalto os redutos da FRELIMO, saltando sobre o Pântano Malambuage, onde abateram várias dezenas de guerrilheiros nos combates mais renhidos, apreenderam importantes quantidades de material de guerra e cercaram toda a zona onde se acontanava o inimigo.
Durante três dias, os Pára-quedistas trataram de fazer a consolidação das posições tomadas ao inimigo, bateram todo o terreno entre o rio Rovuma e a Base Limpopo, em Balade, a sul do pântano, detectaram e levantaram minas e armadilhas montadas pela FRELIMO, fizeram ligações aos grupos de combate doExército que estavam a formar tampão na zona a Sul, a Leste e a Oeste do rio Rovuma.
E nesses dias de intensa labuta, uma Companhia de Comandos tomou de assalto o acampamento logístico dos guerrilheiros, a Sul do pântano, duas Companhias de Cavalaria deram uma batida às brenhas situadas junto ao lago Lidede e vale do rio Nange, tendo ainda assaltado um hospital dos guerrilheiros, onde recolheram material de guerra diverso e alguns documentos, capturaram alguns elementos inimigos e da população que lghes dava apoio. Uma outra companhia do Exército bateu as terras a oeste do pântano e ajudou os Pára-quedistas a recolheros páraquedas.
O apoio aéreo foi muito importante, durante toda a operação Zeta, e para esse apoio foram utilizados um Dornier 27, no comando operacional, um helicóptero Alouette armado de canhão de 20mm, 8 aviões Harward T-6 G, para ataque aos grupos inimigos que tentavam escapar ao cerco, 2 aviões bombardeiros PV-2, 4 aviões de transporte Nord Atlas e três aviões de transporte Dakota, para o lançamento dos pára-quedistas. Foi a acção de bombardeamento inflingida aos grupos fugitivos que ajudou a amolecer o ímpeto combativo dos guerrilheiros e lhes cortou as linhas de fuga.
Porque se tratou de uma acção de guerra antecedida de uma recolha de informações bastante minuciosa e cuidadosamente testada, além do consequente secretismo necessário para o planeamento da missão em tão curto prazo, poderá dizer-se que a Operação ZETA foi uma das mais importantes missões militares alguma vez realizadas em Moçambique. Os resultados conseguidos atestam bem o sucesso das nossas tropas, mercê de uma coordenação que excedeu as melhores expectativas, se atentar-mos na impossibilidade de acessos a uma zona que era um santuário controlado pelo inimigo, além das distâncias a vencer a partir de qualquer ponto de apoio que não fosse apeado.

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