domingo, 25 de julho de 2010

HONRA AOS HERÓIS!

Quando em 10 de Junho, junto ao monumento aos Combatentes erguido em Belém, passava os olhos pelos nomes dos Heróis ali recordados, dei comigo a pensar que nem todos ali constavam, por razões várias, de entre as quais se poderá apontar o esquecimento a que alguns dos nossos maiores vultos, que escreveram com o seu sangue páginas de heroicidade... mas tiveram o azar de morrer em território onde drapejou a Bandeira Portuguesa, é certo, mas a lutar contra a implantação da dominação comunista nesse mesmo território.
Falo de alguém que foi grande em generosiodade, que se doou sempre pela liberdade, pela igualdade e pela justiça, que foi grande até na sua morte. Falo de Francisco Daniel Roxo, o Homem nascido em Mogadouro - Trás-os-Montes no dia 01 de Fevereiro de 1933 e que em Moçambique se fixou em terras do Niassa em 1951, onde foi caçador profissional até 1962.
Com o início da Guerra Colonial, veio a tornar-se, a partir de 1964, no lendário e temível Comandante das Milícias do Niassa, um grupo especial de contra-guerrilha composto por 30 mhomens da sua confiança. O inimigo da FRELIMO conhece-o por Diabo Branco, as populações do Niassa tratam-no carinhosamente por Comandante Roxo. Não é militar, mas as Autoridades Portuguesas reconhecem o seu trabalho e é condecora do por duas vezes com a Cruz de Guerra e atribuiram-lhe a Medalha de Ouro de Serviços Distintos.
Após a independência de Moçambique, Daniel Roxo, então com 41 anos, alistou-se nas Forças Especiais da África do Sul, indo prestar serviço no Batalhão 32 - Os Búfalos, com o posto de 1º. Sargento. Ele, que sempre fora o Comandante Roxo, aceitou as divisas de Sargento para continuar o combate por aquilo em que acreditava.
Em Angola, participou na Operação Savana, onde travou um épico combate contra as forças do MPLA e do Exército Cubano, vindo a obter ele e uns poucos de outros Portugueses, também integrados no Batalhão 32, a grande vitória da Ponte, em Dezembro de 1975, no Rio Nhia, onde o inimigo do MPLA e cubano foi copiosamente derrotado. Nessa batalha, o Batalhão 32 sofreu apenas quatro mortos, enquanto os antagonistas vieram a sofrer mais de 400 mortos, não se sabendo exactamente quantos foram porque alguns camiões angolanos e cubanos faziam a remoção dos corpos para o norte, durante os combates. Sabe-se, no entanto, que na refrega morreu o Comandante Raul Diaz Arguelles, um grande herói da Cuba de Fidel. O Batalhão 32 não necessitou de meios aéreos, bastando-lhe o uso da artilharia.
Terá sido a última batalha no século XX em que intervieram Soldados Portugueses.
No entanto, pouco tempo depois, Danny Roxo morria em combate, mas antes já havia recebido a mais alta condecoração militar sul-africana, a Cruz de Honra, equivalente à nossa Torre e Espada. No dia 23 de Agosto de 1976, numa emboscada no sul de Angola, quando andava numa patrulha perto do Rio Okavango, o seu 'Wolf' - viatura blindada anti-minas - , rebentou uma mina e foi virado ao contrário, matando um homem e esmagando Daniel Roxo debaixo dele. A restante tripulação tentou levantar o veículo, para possibilitar a sua libertação, mas este era demasiado pesado.
O antigo Comandante do Batalhão Os Búfalos relata assim os últimos momentos do Herói:

"Danny Roxo, mantendo-se com o seu carácter intrépido, decidiu tirar o melhor partido das coisas, acendendo um cigarro e fumando-o calmamente até que este acabou, e então morreu - ainda esmagado debaixo do 'Wolf''. Ele não se tinha queixado uma única vez, não tinha dado um único gemido ou grito, apesar das dores serem enormes, de certeza!".

Foi deste modo que morreu o Primeiro Sargento Danny Roxo, um Homem que se havia tornado numa lenda nas Forças de Segurança Portuguesas em Moçambique, e que rápidamente se veiio a tornar noutra lenda nas Forças Especiais Sul Africanas.
Deixou o Herói viúva e seis filhos.
É de Homens desta fibra que Camões dizia: "Honra-se a Pátria de tal gente!"

terça-feira, 6 de julho de 2010

Há Heróis assim...

O Engenheiro Agrónomo Jorge Pereira Jardim, nascido em Lisboa no ano de 1920 e que faleceu em 1978, foi um amigo de Oliveira Salazar, de quem foi Subsecretário de Estado da Agricultura, tinha apenas 26 anos, passando para o mesmo cargo no Comércio e na Indústria aos 28 anos.
A partir de 1952 enveredou pelo empresariato, estabelecendo-se em Moçambique na localidade do Dondo - uma vilazinha próxima da cidade da Beira. Empreendedor, desempenhou alguns papéis de relevo no cruzamento de interesses públicos e privados que o tornaram rapidamente num dos homens mais influentes de Moçambique.
Foi amigo pessoal de Ian Smith, primeiro Ministro da então Rodéia - hoje Zimbabwe -, tal como acontecia com o Presidente do Malawi, Dr. Hastings Kamuzu Banda.
De espírito aventureiro e tendo uma ligação privilegiada com o Governo de Lisboa, foi um activo participante em acções de cariz político e diplomático totalmente à margem dos circuitos oficiais, especialmente quando era necessário intervir para serem libertados Militares os portugueses aprisionados pela União Indiana, após a invasão da Índia
Mas foi no seu Moçambique querido que acabou por desenvolver uma actividade política que veio a interferir com o desenrolar dos acontecimentos relacionados com a política colonial portuguesa e com aquela colónia do Índico. Tentou uma independência pela via diplomática, chegando a apresentar o seu "Plano de Lusaka", que previa a independência de Moçambique sem entrega unilateral à FRELIMO, mas o facto de Joaquim Chissano, chefe dos serviços de segurança do Movimento ter sabido do Plano mas estar desconfiado que Jorge Jardim tenha estado envolvido nos "Massacres de Wiriamu, que Jardim visitara apenas para se aperceber da dimensão da tragédia, de que deu conta a Macelo Caetano, pondo fim à carreira do General Kaúlza de Arriaga, mais o ter acontecido o 25 de Abril, levou a que este plano viesse a ser substituído, posteriormente, pelo Acordo de Lusaka e pelas conversações directas entre o Governo de Portugal e a FRELIMO.
Ele foi cérebro e "padrinho" dos mauis que celebrados GE's (Grupos Especiais) e GEP's (Grupos Especiais Pára-quedistas, que eram forças operacionais de élite, com competências normalmente atribuídas às nossas Tropas Especiais Ranger, Comando, Fuso ou Pára. Tinham um pouco de cada uma delas.
Foi ele o cérebro do 7 de Setembro, no Rádio Clube de Moçambique, em Lourenço Marques. Escreveu o livrio "MOÇAMBIQUE, TERRA QUEIMADA".