terça-feira, 6 de julho de 2010

Há Heróis assim...

O Engenheiro Agrónomo Jorge Pereira Jardim, nascido em Lisboa no ano de 1920 e que faleceu em 1978, foi um amigo de Oliveira Salazar, de quem foi Subsecretário de Estado da Agricultura, tinha apenas 26 anos, passando para o mesmo cargo no Comércio e na Indústria aos 28 anos.
A partir de 1952 enveredou pelo empresariato, estabelecendo-se em Moçambique na localidade do Dondo - uma vilazinha próxima da cidade da Beira. Empreendedor, desempenhou alguns papéis de relevo no cruzamento de interesses públicos e privados que o tornaram rapidamente num dos homens mais influentes de Moçambique.
Foi amigo pessoal de Ian Smith, primeiro Ministro da então Rodéia - hoje Zimbabwe -, tal como acontecia com o Presidente do Malawi, Dr. Hastings Kamuzu Banda.
De espírito aventureiro e tendo uma ligação privilegiada com o Governo de Lisboa, foi um activo participante em acções de cariz político e diplomático totalmente à margem dos circuitos oficiais, especialmente quando era necessário intervir para serem libertados Militares os portugueses aprisionados pela União Indiana, após a invasão da Índia
Mas foi no seu Moçambique querido que acabou por desenvolver uma actividade política que veio a interferir com o desenrolar dos acontecimentos relacionados com a política colonial portuguesa e com aquela colónia do Índico. Tentou uma independência pela via diplomática, chegando a apresentar o seu "Plano de Lusaka", que previa a independência de Moçambique sem entrega unilateral à FRELIMO, mas o facto de Joaquim Chissano, chefe dos serviços de segurança do Movimento ter sabido do Plano mas estar desconfiado que Jorge Jardim tenha estado envolvido nos "Massacres de Wiriamu, que Jardim visitara apenas para se aperceber da dimensão da tragédia, de que deu conta a Macelo Caetano, pondo fim à carreira do General Kaúlza de Arriaga, mais o ter acontecido o 25 de Abril, levou a que este plano viesse a ser substituído, posteriormente, pelo Acordo de Lusaka e pelas conversações directas entre o Governo de Portugal e a FRELIMO.
Ele foi cérebro e "padrinho" dos mauis que celebrados GE's (Grupos Especiais) e GEP's (Grupos Especiais Pára-quedistas, que eram forças operacionais de élite, com competências normalmente atribuídas às nossas Tropas Especiais Ranger, Comando, Fuso ou Pára. Tinham um pouco de cada uma delas.
Foi ele o cérebro do 7 de Setembro, no Rádio Clube de Moçambique, em Lourenço Marques. Escreveu o livrio "MOÇAMBIQUE, TERRA QUEIMADA".

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