quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O PRINCÍPIO DO FIM...

Guerrilheiros da FRELIMO
A guerrilha em Moçambique teve de lutar com algumas dificuldades, pela falta de quadros com formação académica superior, por um lado, e contra o divisionismo étnico e o tribalismo, pelo outro.
No entanto, os seus quadros politico-militares sempre foram formados no estrangeiro. A partir de 1963 irão ser estes quadros quem irá receber ordens para se dar inicio à luta armada no interior de Moçambique, traduzindo-se as primeiras acçõesnos ataques feitos ao posto do Chai, em Cabo Delgado, e ao posto de Cobué, no Niassa, acontecidos a 25 de Setembro de 1964.
Antes andou a guerrilha em manobras de propaganda política nas zonas de influência Maconde, que foi um dos esteios da FRELIMO durante o tempo que durou quase toda a guerra anti-colonial.
Estava bem de ver que o desaparecimento de Eduardo Mondlane viria a ser ultrapassado pelo Conselho da Presidência, que tinha como líder Uria Simango e era integrado por Marcelino dos Santos... e Samora Moisés Machel. Só que isto foi sol de pouca dura, porque a luta pelo poder desencadeou-se quase de imediato e levou a que Uria Simango, em Maio de 1970, tivesse de nomear Samora Machel para a Presidência do Movimento, momento a partir do qual, mercê da determinação de Machel, foi reforçada a actividade diplomática e militar, passando a ser representada a FRELIMO, a nível político, em todas as cimeiras dos países não allinhados e da OUA, que se realizaram em Lusaca e Adis Abeba no mês de Setembro de 1970.
Em Outubro de 1972, a convite da FRELIMO, o Secretário Executivo do Comité de Libertação da OUA visitou o interior de Moçambique, concluíndo que "a guerrilha exercia soberania" em várias zonas de fronteira com a Tanzânia, "em cerca de 300 Km, onde tinham a funcionar escolas e hospitais". Foi por causa desta visita que a FRELIMO veio a obter, no mês seguinta, o estatuto de observadora na OUA.
Nos finais do ano de 73, a guerrilha chega a norte do rio Buzi, começando então a penetrar nos subúrbios das cidades. De uma forma geral, as populações resolveram esperar pelos resultados da guerra, mas manifestam cada vez mais estar incomodadas com a presença portuguesa.
Kaúlza de Arriaga bem se desdobra em operações, mas o Ministro da Defesa não lhe concedeu o aumento de competências de que ele necessitava para que Angola e Moçambique ficassem sobre o mesmo comando nem lhe reforçou os homens e o material.
A ordem de Lisboa era "ganhar tempo"!

Sem comentários:

Enviar um comentário