segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Moçambique pré-colonial

Os primeiros habitantes de Moçambique foram, muito provavelmente, os Khoisan, isto é Bosquímanes, que eram um povo de caçadores-recolectores.
Há cerca de 10.000 anos já Moçambique tinha um perfil aproximado ao que apresenta hoje em dia: Uma costa baixa, cortada por planícies de aluvião e que se encontrava parcialmente separada do Oceano Índico através de um cordão de dunas. Esta configuração fazia dela uma enorme região dotada de grande fertilidade, ostentando ainda hoje grandes extensões de savana onde pululam inúmeros animais indígenas. Tal situação dava azo a que estivessem encontradas as condições ideais para a fixação de povos caçadores-recolectores... e até de agricultores.
Nos séculos I a IV, a região começou a ser invadida pelos Povos Bantu, que eram essencialmente agricultores que já conheciam a manufactura e uso de artefactos de ferro. A base económica era então a agricultura, produzindo cereais locais, como por exemplo a mapira (Sorgo) e a mexoeira. Também praticavam a olaria e a tecelagem, além da metalurgia, mas isto apenas para suprir necessidades da família e para um incipiente comércio através da troca directa. Por tal razão, a estrutura social era de muita simplicidade, sendo baseada na "família alargada" ou linhagem, à qual era reconhecida a existência de um chefe. Os nomes destas linhagens nas línguas locais eram, entre outros: o Nlocko, na linguagem eMakua; o Liwele, em ciYao; o Pfuko, em ciChewa; o Ndangu, em chiTsonga.
A sociedade Moçambicana tornou-se muito mais complexa, mas muitas das regras de organização tradicionais ainda hoje são baseadas na linhagem.
Entre os séculos IX e XII começaram a fixar-se na costa oriental de África populações oriundas da região do Golfo Pérsico, naquele tempo um importante centro de comércio. Estes povos começaram por fundar entrepostos na costa africana e muitos geógrafos da época referiram-se à existência de um próspero e activo comércio com as "terras de Sofala", incluíndo a troca de tecidos da Índia por ferro, ouro ou outros metais.
De facto, o ferro era tão importante que se pensa que as "aspas" de ferro - em forma de X, com cerca de 30 cm de comprimento, abundantemente encontradas em estações arqueológicas na região - eram utilizadas como moeda, sendo estas mais tarde substituídas por outra que constaria de tubos de penas de aves cheias de ouro em pó - os METICAIS, cujo nome originou a actual moeda Moçambicana.
Com o crescimento demográfico, novas invasões e a chegada dos mercadores, a estrutura política tornou-se bastante mais complexa, com linhagens a dominar outras e, por fim, deu-se a formação de autênticos estados na região, sendo um dos mais importantes o primeiro estado do Zimbabwe.
Mas disso falaremos na próxima postagem.

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