segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A TODOS OS AMIGOS...



QUE ESTE NATAL SEJA DE PAZ PARA TODO O MOÇAMBIQUE
COM DESEJOS DE FESTAS FELIZES!!!

sábado, 8 de outubro de 2011

OS MACONDES

Mulheres Macondes

Quando os portugueses "aportaram" pela primeira vez  no Planalto dos Macondes, decorria o ano de 1917, encontraram um povo com grande unidade cultural, se bem que fosse um povo que não possuía um chefe que pudesse ocupar uma posição centralizadora ou que  pudesse ser detentor do poder político e mantivesse os numerosos grupos locais ou povoações – makaya - sob a sua autoridade.
Cada povoação era uma pequena unidade social e política independente. Obedeciam a um chefe local que viam como o chefe de uma família extensa, mas a autoridade do chefe era nula.
Os Macondes são um povo que vive  fechado  e segregado. Ninguém se aventurava a demandar o seu território. Apenas em caso de guerra todos se unem, combatendo o inimigo comum. As suas numerosas povoações são independentes e fecham-se a qualquer convívio com os vizinhos, mostrando hostilidade para com as outras populações, obrigando a um estado de alarme constante e fazendo da guerra uma ocupação e uma preocupação. As aldeias Macondes são fortificadas na periferia com cercas de árvores e arbustos espinhosos, com uma espessura entre os 20 e os 24 metros.
O povo Maconde forma uma comunidade política constituída por pequenos núcleos populacionais, independentes entre si, cada um dos quais dirigido por um chefe. O chefe da população – mwene – não tem autoridade política absoluta, a autoridade advém-lhe do facto de ser o chefe de uma família extensa. Quando há uma disputa dentro da povoação, todos recorrem a ele, para que dê uma solução. Apesar destas atribuições judiciais não se pode dizer que ele actue como juiz. Nas suas decisões é sempre ajudado pelo Conselho de Anciãos, formado pelos representantes das famílias conjugais.
Arca de arte Maconde
É um Povo étnico do Sudeste de África, oriundo do povo dos Bantos que viveu no sul do lago de Niassa. Atualmente, os Macondes estão estabelecidos no planalto de Mueda, província de Cabo Delgado, a norte de Moçambique (perto de 400 000 Macondes) e, também, no sul da Tanzânia (cerca de 900 000 Macondes).
Segundo uma lenda do povo maconde, um homem, que vivia sozinho no mato, esculpiu, a partir de um cepo de uma árvore, uma mulher de quem teve três filhos. Os dois primeiros morreram à nascença e o terceiro, que nascera num planalto, sobreviveu. Por este motivo, os primitivos Macondes escolheram os planaltos para viverem. Esta etnia manteve-se  isolada até ao início do século XX, que foi quando os Portugueses conseguiram transpor as florestas densas e as zonas íngremes que protegiam aquele povo. Em consequência deste contacto tardio com outras culturas, os seus costumes conservaram uma forte tradição e coesão. As atividades principais dos Macondes são a agricultura e a escultura. É por esta arte que são mundialmente conhecidos, sobretudo pelas suas máscaras e esculturas em madeira, reveladoras da estética e da cultura deste povo.

sábado, 13 de agosto de 2011

MOÇAMBIQUE... A VERDADE SABE-SE!


Revelações de Jaime Khamba ensombram história da FRELIMO e Mondlane 
Escrito por Rodrigues Luís - Jornal Savana  
Nos finais do ano de 2000, Fanuel Gideon Mahluza trouxe a lume informações até então desconhecidas contradizendo a versão oficial sobre a história da libertação nacional levada a cabo pelo partido no poder. Eis que cerca de três anos após surge dos Estados Unidos da América um Moçambicano, ex-combatente da luta armada, que corrobora  com Mahluza, e  avança  alguns detalhes.
 "A história da libertação Nacional tanto como a dos fundadores da FRELIMO não está a ser bem contada, pois o que se diz e está escrito nos livros didácticos não corresponde à verdade”, eis as palavras com que Jaime Maurício Khamba, ex-combatente da libertação Nacional, que actualmente  reside nos Estados Unidos da América (EUA), para onde foi há 40 anos,  abriu a conversa com o Savana. Segundo Khamba, a razão que o levou a contactar o nosso Jornal prende-se com o fornecimento de subsídios que possam esclarecer a história contemporânea, de modo a que os compatriotas a entendam. Adianta ainda que existe no País  multa gente que, embora conhecendo os factos, se refugia num silêncio cumpliscente.
Jaime Maurício Khamba, ou Ntema Ganda, como era conhecido no tempo de libertação nacional, jura a pés juntos que na formação da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) os nomes hoje mencionados como sendo os obreiros da unidade nacional não passam de uma invenção.
Para a nossa fonte, Eduardo Mondlane, 1º Presidente da FRELIMO, Samora Machel, primeiro Presidente de Moçambique independente e Joaquim Chissano, posterior chefe de Estado, são figuras apontadas pelo nosso interlocutor como sendo os grandes ausentes na formação da Frelimo.
Segundo Jaime Khamba, na actual historiografia moçambicana, nomes como os de Eduardo Mondlane, Samora Machel e muitas outras figuras na liderança da Frelimo são erradamente mencionadas como tendo participado na criação da FRELIMO. Todavia, "a verdade no meio desta mentira é que estas individualidades participaram activamente e contribuíram no sucesso da revolução que levou à queda do fascismo no nosso país".
Jaime khamba defende que a nova geração não deve ser refém das inverdades narradas em torno da história da Frelimo como uma frente, pois personalidades há que, embora no pleno gozo da vida, tem preferido a mudez como forma de omitir os factos em torno da formação da FRELIMO.
Marcelino dos Santos, Lopes Tembe Ndiomba, Abílio Araújo Matsinhe e muitos outros são mencionados pelo nosso interlocutor como sendo lendas vivas que deviam reescrever a história, pois conhecem-na muito bem, mas pela posição tomada no Governo eles não são capazes de contar uma vez que eles participaram na elaboração de mentiras.
Para aquele ex-combatente, é duro reparar como o Joaquim Alberto Chissano, Marcelino dos Santos, Pascoal Mocumbi, Lopes Tembe Ndelane, Constâncio Ndiomba e Dr. Joaquim Boaventura Verimbo têm ignorado o reconhecimento daqueles que formaram a Frelimo, uma vez estão a par da verdade sobre a fundação da FRELIMO.
Disse que a ideia de nascimento da FRELIMO surgiu numa fase em que os três movimentos, nomeadamente a União Africana Nacional de Moçambique (MANU), Associação Africana de Moçambique (MAA) - uma união dos Macondes criada em 1960 -, e a UDENAMO, viviam um momento de grande tensão1.
"Vivia-se uma tensão étnica no nosso seio por haver também um grande número de iletrados. Eu e Adelino Gwambe, também conhecido por Hlomulo, estudámos a forma de resolver a questão. Eu sugeri que juntássemos estas organizações para se formar uma só frente composta por 18 membros da comissão executiva a nível nacional", frisou Khamba.
O entrevistado disse ter igualmente proposto que, após a reunificação dos três movimentos, cada província deveria ter os seus representantes e que a chefia desta frente teria que ser distribuída por todas as regiões do país. Disse ainda que "propus que os oficiais que não escreviam e nem falavam a língua Portuguesa deveriam ser eleitos vice-presidentes ou deputados. Gwambe concordou com todas as minhas propostas, excluindo a de que o executivo deveria ser composto por 18 membros, alegadamente porque o número era elevado, o que facilitaria a infiltração da polícia política portuguesa (PIDE)".
O nome FRELIMO nasceu em Janeiro ou Março de 1962, em Accra, Ghana, durante uma conferência organizada pelo Dr. Nkwame Nkrumah, denominada "Conference of freedom fighters" ou seja conferência dos combatentes da liberdade 2. De acordo com o nosso interlocutor, o nome FRELIMO foi sugerido pelo Fanuel Gideon Mahluza, vice-Presidente da UDENAMO, onde foi acolhido por maioria absoluta numa assembleia na qual fizeram parte Adelino Xitofo Gwambe, Marcelino dos Santos, David José Mabunda (presentemente em Michigan, EUA).
Após a escolha do nome, submeteu-se à apreciação do Dr. Nkrumah, tendo por último sido remetido ao Peter Mbju Koinange que era Secretário-Geral do movimento Pan Africano do Este e da África Central.
Isto viria a culminar com a aprovação da denominação FRELIMO, após o que a mesma viria a ser anunciada em Accra e Dar Es Salam. "Durante este período não estava presente nenhum dos nomes que hoje se ouve falar serem fundadores da FRELIMO, incluindo Mondlane, Machel ou simplesmente membros que estão no actual Governo." - Continua

sexta-feira, 8 de julho de 2011

EM MOÇAMBIQUE HÁ VERDADE?

No dizer dos meus amigos moçambicanos, a verdadeira verdade não se pode ocultar, mas as mentiras diluem-se como se fossem núvens de fumo que se desfazem, porque são tão frágeis que a menor aragem as faz correr, desfazendo-as pela base... até pelo facto de se apanhar mais depressa um mentiroso que um coxo.
Uma pergunta inocente, que jamais teve uma resposta que se pudesse considerar fidedigna: ONDE MORREU EDUARDO MONDLANE? A Frelimo "ensina" que ele terá morrido no seu escritório  do Movimento, mas sabe-se que ele morreu na casa americana de Betty King, que era a amante de Mondlane em Dar-Es-Salaam. A quem interessa manter a mentira?

Josina Machel
E  qual foi a causa da morte de Josina Machel? É que lhe foi atribuído o título de heroína apenas porque foi mulher de Samora e por ser uma pessoa do Sul. Sabe-se que a líder da liga feminina da Frelimo era Celina Simango, pelo que a Josina apenas veio a ter direito ao título após a queda de Urias Simango.
Se Josina Muthemba - nome de solteira da mulher de Samora - morreu no Muhimbili Hospital de Dar-Es-Saalam, onde estava internada e onde "trabalhava" um seu tio, o célebre Samuel Sansão que não passava de um traidor que conseguiu também ser elevado à categoria de herói da Frelimo, há indícios que dizem ter sido envenenada por Samora Machel... ou por ingestão de venenos que a levassem a abortar uma gravidez indesejada, que se afirmava à boca pequena ser de outro homem que não de Samora, porque Joana nunca terá amado Machel mas  tinha, sim, uma perfeita dedicação e apreço a Samuel Filipe Magaia.
Samora Moisés Machel
Samora não tinha qualquer espécie de escrúpulos e era conhecida a sua tendência homosexual, pelo que não teria hesitação na eliminação de qualquer pessoa que lhe viesse a causar problemas. Sabe-se que Samora se envolvia, em Nachingwea, em actividades sexuais com três rapazes de etnia Sena, de seus nomes Emílio A. de Sousa, Caetano de J. Mbewa, mortos há uns anos atrás, um na Beira e o outro na África do Sul. O terceiro seria Costa Magiga, que foi um cooperante da Frelimo na captura do Padre Mateus Pinho Gwengere, que foi detido em Nairobi, no Quénia, e foi levado para Moçambique, onde foi sumáriamente executado.
Volto a perguntar: EM MOÇAMBIQUE HÁ VERDADE? QUAL? A QUE MAIS CONVÉM AO GOVERNO... OU AQUELA QUE É LÍMPIDA E VERDADEIRA COMO A ÁGUA CRISTALINA?

segunda-feira, 6 de junho de 2011

JUSTIÇA... quando?

Sabe-se como a FRELIMO, ontem e hoje, faz a sua caminhada de engano do Povo através de estórias bastante deturpadas ou eivadas de mentira. Mesmo alguns dos fazedores de opinião, como por exemplo o João Craveirinha, atrevem-se a contar os factos de uma forma muito sua, possívelmente para se manterem nas boas graças daqueles que deveriam ter por missão zelar pela coisa pública, mas se mostram única e simplesmente interessados em manter as suas benesses e bolsos cheios, não importando a que preço.
Muitas vezes me pergunto quando haverá em Moçambique uma política virada para o Povo injustiçado ao longo dos anos, e apenas para este, que vive o quotidiano meditando em qual foi o seu crime, que mal lhe pode ser imputado para não lhe ser dada uma oportunidade.
Fala-se sempre do colonialismo português como o culpado de tudo o que de mau acontece, não assumindo o facto de que após mais de 30 anos de independência já haverá um certo peso no destino do Povo Moçambicano. É tempo de assumirem as culpas que cabem ao Governo da República. E o senhor que detém a presidência da República bem poderia abdicar de um pouco da sua vasta fortuna pessoal em detrimento daqueles que têm fome! Sei que andou na mata, como companheiro de Samora Moisés Machel, mas isso não lhe dá menos responsabilidades no bem estar do Povo. Antes pelo contrário! Se ajudou a conduzir o Povo para a miséria, bom seria que pensasse em lhe dar um pouco do muito que amealhou... até porque nem sequer dá contas ao Povo da dimensão do seu império financeiro... que não se sabe como começou.
Bem bastaram os maus exemplos de Samora Machel, de Marcelino dos Santos, de Chissano ou Sérgio Vieira. Às mãos destes pereceram Homens e Mulheres da dimensão do Pe. Mateus Gwenjere, de Uria, Pedro  e Celina Simango, de Paulo Guname ou Fautino Kambeu, para não falar de Joana Simeão ou do sobrinho de Mondlane, Pedro.    
Palácio do Governo do Niassa

quarta-feira, 18 de maio de 2011

"DEU NOVOS MUNDOS AO MUNDO"



Quando alguém pretende falar de "relações raciais" em Moçambique, coloca-se, sem qualquer dúvida, num contexto regional, pois para todas as pessoas que habitam as regiões do centro e sul de Moçambique, onde as referências aos habitantes brancos que habitam do lado de lá da fronteira são uma constante, nomeando-se os Farmeiros brancos do Zimbábwe ou os Boers sul africanos, talvez hoje os mais presentes no quotidiano moçambicano, pois desde meados do século XIX se tornaram uma referência para os naturais de Moçambique.

A África do Sul será um pouco mais conhecida pelos "calcinhas" mineiros que iam de Moçambique fazer a extração do ouro e outros minérios nobres para as minas dos Afrikaans, a mando do Governo Colonial de então, que lhes controlava a deslocação, ao mesmo tempo que a Inglaterra lhes "comandava" o trabalho e a remuneração, pois não eram desgraçadinhos obrigados a trabalho escravo, sem remuneração, como poderia acontecer no lado português do território, no dizer dos "cocoanas" moçambicanos.

Esses "mais velhos" fazem frequentes referências aos "pidgis" usados nas minas ou nas "farmes" nas suas relações com os patrões brancos, o "chilapalapa" ou o "funacolo". São línguas completamente limitadas a um universo do trabalho que são pontuadas pelos imperativos que lembram a impossibilidade de haver relações afectivas entre os brancos e os negros. No entanto, Portugueses, Boers e Ingleses são referidos como constituíndo grupos que são são completamente diferentes entre si... e os três grupos remetem de imediato os sentidos para os tempos coloniais.

Quando vamos às regiões de Inhambane ou do Chimoio, onde encontramos muitos elementos da população, que estiveram nas farmes rodesianas ou nas minas sul-africanas, a afirmar que o retorno financeiro do seu trabalho foi proveitoso, pois os Boers e os rodesianos valorizavam o trabalho manual e pagavam por ele. Chegavam ao ponto de trabalhar ao lado dos trabalhadores africanos, nos momentos de maior necessidade nas fazendas, mesmo que o fizessem soltando terríveis gritos ... porque do lado português apenas havia os gritos e os trabalhos...que muitas vezes davam o ar de serem "forçados".

Em Moçambique a raça, nação, ocupação, status e poder estão intrínsecamente ligados. Falo de "raça", porque a herança biológicas lhe está indelévelmente ligada à expansão imperial europeia, mas a associação entre raça, autoctonia e nação ganharam, em Momçambique, uma dimensão muito particular... talvez pelo facto de ter sido a guerra que a veio articular .

Sobre os portugueses não haverá muito a dizer, porque a maioria abandonou Moçambique naqueles anos que antecederam a independência. Talvez tenha havido um pouco de precipitação no abandono... mas ficaram algumas interrogações que aguardam pertinentes respostas, de entre as quais ressaltam estas: - "Se Samora Machel estava tão interesado na continuidade dos Portugueses, até pela falta de quadros que era gritante, porque razão lançou campanhas de terror contra as populações brancas? Porque retirou os brancos dos postos de trabalho para os entregar aos Moçambicanos de côr? Porquê estar sempre a zurzir nos brancos, culpando-os até de o algodão ser branco, como chegou a dizer num comício na Machava." Samora ofereceu garantias aos indianos e isso levou-os a permanecer, porque ele sabia quão necessários seriam os indianos e muçulmanos para haver uma dinamização comercial num Moçambique que queria manter ligação entre o meio rural e o citadino. No entanto, criou as Lojas do Povo e centralizou a distribuição dos produtos de primeira necessidade... Foi um tempo em que os asiáticos eram suspeitos de falsear no que respeitava ao stock de produtos alimentares, visando a especulação, além de estarem indiciados da posse de divisas que eram subtraídas ao controle do Estado.

Toda a gente sabe que os chamados "monhés" foram sempre acusados de tudo aquilo que de mau ia acontecendo em Moçambique , pois se no tempo colonial pesava contra eles a desconfiança de serem tipos que enriqueciam à custa da feitiçaria, de actividades ilícitas com várias ordens de grandeza, dos tráficos de drogas e armas, da evasão de divisas... mas continuam, nos dias de hoje, a ser como corpos estranhos ao desenvolvimento do País e se antes eram "inimigos dos portugueses", hoje são inimigos da Nação Moçambicana, pessoas a quem os autóctones negros chamam de forasteiros. Mas os indianos e muçulmanos, que até são denunciados pela sua côr de pele, agarram-se às terras e teimam em ficar.

Samora não convidou os Portugueses a ficar... e ainda bem que o não fez, porque tornou possível alguma quietude, alguma paz naquela maravilhosa Nação à beira do Índico. Evitaram-se mais derramamentos de sangue inocente e Moçambique está a fazer o seu caminho tranquilamente.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Património Moçambicano


Ninguém sabe até que ponto vai a dureza de ouvido dos queridos "manda-chuva" de Moçambique no que respeita à reconstrução do País, porquanto se olha para as infraestruturas que ficaram do passado colonial e... tudo foi votado ao mais completo abandono.
Apetece perguntar se tal facto se prende com o ter sido obra de Portugueses e não as quererem aproveitar para poderem dizer que receberam uma Pátria despojada de tudo, porque tal não corresponde à verdade, pois Portugal entregou um território capaz de ombrear com alguns dos melhores de África, uma vez que Lourenço Marques/Maputo ou Luanda eram capitais muito apreciadas pelos turistas que as visitavam, muitas vezes ficando impressionados com o incremento da indústria da construção civil, que as colocava muito acima do que se via noutras paragens africanas.
Aqui para nós, Samora Moisés Machel não gostava dos Portugueses, não pela côr da pele mas por ser o Povo colonizador... que por coincidência feliz ou infeliz até era branco. Diz-se que isso foi o suficiente para proibir galináceos e porcos dessa côr! Credo! Comer coisas brancas... podia pegar-se... bem bastava haver na família uma nódoa branca deixada pelos ancestrais.
Não! Não pode ser! Só agora me ocorre que deve ser esse o motivo do ódio visceral aos brancos! Como eu estava a ser ingénuo! Samora Machel tinha uma costela branca, e isso incomodava muito!
Por vontade dele, Moçambique cumpriria o título do livro do Engenheiro Jorge Jardim "MOÇAMBIQUE, TERRA QUEIMADA!" e depois seria reconstruído de raíz. E o Povo Moçambicano? Eles sabem que a FRELIMO sabe o que faz... e se não souberem aprenderão com o tempo!
O alcatrão desaparece das ruas das cidades e vilas moçambicanas, muitas das infraestruturas estão votadas ao abandono, degradadas... mesmo que o Povo resida em palhotas ou barracas de lata... até quando o Governo quizer, pois basta recuperar e utilizar o vasto património herdado da colonização.
Será que ainda vão a tempo?  




sexta-feira, 11 de março de 2011

Moçambique - saudade...

Não é todos os dias que se poderá ouvir falar em saudades de qualquer coisa sem que aconteça ficar o nosso rosto fechado, os olhos tristes e apeteça ouvir o Bonga a cantar aquele "TENHO UMA LÁGRIMA AO CANTO DO OLHO" que tão bem caracteriza aquilo que se convencionou chamar saudades de uma terra cujo solo sabemos não estar ao nosso alcance voltar a pisar, não que seja impossível o preço a gastar com a visita, mas por vicissitudes várias que nos levam a não pensar gastar um cêntimo com uma viagem que apenas seria mais uma ferida aberta no coração, após constactar não haver ali nada que recorde o país que foi Portugal, porque tudo se volatizou na voragem do tempo quando tudo o que "cheirava" a português... e branco, foi simplesmente votado ao ostracismo preconizado pela personalidade "forte" do "libertador" Samora Moisés Machel.
Quem passe pelo Xipamanine, por São José de Lhanguene ou por qualquer lugar onde existam famílias pobres, verifica que estas não têm o mínimo exigível para uma sobrevivência com dignidade... porque os gordos estão cada vez mais gordos e estão referenciados: - são todos membros da FRELIMO ou a ela ligados por laços que lhes permitem comer da mesma panela que a click governamental ou empresarial. Não há meio termo: - queres sobreviver? Junta-te ao Partido! Os outros têm os ossos para se entreter!
Sabia-se que um dia viria que a factura seria apresentada a pagamento. Não admira portanto que os chinezes estejam a reivindicar a exploração dos recursos mineiros de Moçambique, como sejam o ouro, diamantes, rubis, minérios de toda a espécie... porque nos bons tempos da luta forneceram armas e munições para a luta pela independência... e isso paga-se com juros!
Só que o Povo - sempre o Povo - continua à míngua de recursos, pois há que dar aos antigos homens de armas da FRELIMO o justo prémio pela luta realizada nas matas! Os outros terão o seu tempo para meter a mão no melado!
Quem manda ter nascido num território onde os recursos não englobam o petróleo? É que este já encheu os cofres de Angola e criou novos senhores do território muito mais depressa, pois a luta armada foi mais cedo e havia exploração de diamantes desde há muito, coisa que Moçambique não acompanhou no tempo. Conhecem-se as explorações de minas, rubis, turmalinas, esmeraldas, águas marinhas, ágatas, jaspes, opalas e outras, pois o país é fértil em riquezas do seu sub-solo... só que guardado estava o bocado e será a China a meter a mão no produto, pois amanhã será a Rússia a pedir que a dívida à antiga União Soviética seja liquidada.
Qual será a percentagem a receber pelo Povo? E pelos membros do Governo?
É tempo de aparecer outro Zeca Afonso que cante: - "ELES COMEM TUDO... ELES COMEM TUDO... ELES COMEM TUDO E NÃO DEIXAM NADA!"
Abram os olhos, Povo de Moçambique!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

GUERRA COLONIAL...

Entre o desfile dos Militares Portugueses em Lourenço Marques, ocorrido em 20 de Outubro de 1963, e a independência de Moçambique que veio a ser possibilitada pela Revolução do 25 de Abril acontecido em 1974, verificaram-se avanços e recuos, vitórias e derrotas, mortos e feridos, coragem e cobardia... e até histórias menos dignificantes a assombrar a passagem dos Portugueses pela África por onde andaram durante mais de 500 anos, talvez sem a afirmação que se esperaria viesse a verificar-se como exemplo de uma entrega total em benefício do bem estar dos autóctones que, bem ou mal, se chegaram a sentir cidadãos de um País que deu novos mundos ao mundo.
Por certo se acabaram por sentir abandonados pelo "seu" País, que os preferiu ver entregues aos braços daqueles que ontem eram o "inimigo"
Em Angola, no dia de ontem... e talvez até mais tarde, não sei se será assim ou não, aproveitou-se para recordar os "heróis" do 4 de Fevereiro, os tais que iniciaram a luta armada no território, ainda que a "história" nos diga que foi a UPA e não o MPLA a iniciar essa luta na Baixa do Cassange, e mesmo que essa data mítica seja data "talismã" para o MPLA, que a reivindica como sua em virtude de ser ela o mote para o eclodir da guerra em plenitude.
Muita discussão tem suscitado essa data, pois MPLA e UPA/FNLA não abrem mão da tal primazia e alguns dos participantes dos acontecimentos serem militantes nesses movimentos, a acção foi desencadeada à margem deles, pois foi iniciativa de uma direcção improvisada e por pressão de alguns cidadãos angolanos que estavam presos e haviam sido ameaçados de exílio noutras prisões portuguesas fora de Angola. É assim que mais de 70% dos participantes serem da região do Bengo, zona que se viria a tornar em território afecto ao MPLA.
A PIDE afirmou, em 1960, ter descoberto, em Catete, "uma organização do MPLA bastante perfeita e decidida a entrar em acção". Neste mesmo ano é preso Agostinho Neto, dirigente do MPLA, pelo que em Catete logo se organizou uma "enorme manifestação de solidariedade e desagravo", que veio a ser reprimida de forma violenta, com vários mortos e feridos.
O chefe geral do levantamento, Domingos Manuel Agostinho, disse por várias vezes e a vários participantes que tinha especial simpatia por Agostinho Neto e por outros membros do MPLA, o que leva a que este movimento possa considerar-se o iniciador da luta armada.
Não sei porquê, veio-me à memória o livro "POR QUEM OS SINOS DOBRAM"! Porque para os sinos dobrarem haverá um motivo muito importante, quiçá a morte de alguém "SOBRE QUEM PODER NÃO TEVE A MORTE", para citar o Poeta.
Entre esses, ponho em primeiro lugar os que se viram apanhados pela sanha assassina que colocou Angola a ferro e fogo! Foram gente que foi imolada como cordeiro de sacrifício, porque alguém não soube ou não quis ler os sinais dos tempos. A Baixa do Cassange deveria ter sido suficiente para se arrepiar caminho e evitar os trágicos anos da guerra, em que de parte a parte há a lamentar vítimas, pois nem todos os que "acompanhavam" os terroristas eram pessoas com eles conotadas.
Ajudemos os vivos a respeitar aqueles que partiram... cientes de que é tempo de fechar o grande livro em que se registam os prós e contras de uma guerra que jamais deveria ter ocorrido! É tempo de se construír a PAZ!!!

sábado, 8 de janeiro de 2011

MALANGATANA - MORTE DE UM ARTISTA ÚNICO

Fostes Poeta...Pintor...
artista enorme...multifacetado,
fizestes painéis com gritos de côr
com um amor jamais imaginado
para quem, como tu, viveu sofrendo
pela côr da pele... que sempre te orgulhou
ao pontos de pela vida ires dizendo
que Deus te dera a côr que mais gostou!
No céu, onde agora subistes,
há anjos que esperam ansiosos
para verem a obra que exibistes,
os painéis que na terra são famosos!
Repousa, Malangatana, bem o mereces,
e deixa o teu conforto para a saudade
enquanto as nossas bocas dirigem preces
por quem foi lição de vida e de verdade!
.
Victor Elias
Ainda vejo o Mestre a esboçar um dos seus trabalhos, um quadro que representava a sua visão do mundo de então, visto da sua Pátria que sempre amou! E ia conversando, enquanto dava expressão à sua visão tão peculiar do mundo que já o estava a conhecer pela obra produzida, que não pela participação cívica na luta do seu Povo contra a aberração que era o sistema colonial português.
Malangatana Valente Ngwenya, que havia nascido em Matalana, aprendeu as primeiras letras na Missão Protestante Suiça da sua terra Natal, até esta fechar, passando então para a Escola da Missão Católica, onde concluiu a 3ª. Classe no ano de 1948, ao mesmo tempo que ajudava a mãe no cultivo da machamba. Com 12 anos foi para a então Lourenço Marques em busca de trabalho, tendo sido pastor de gado, aprendiz de myamussoro - feiticeiro ou "médico tradicional" - mainato ou moleque (criado de crianças), até que conseguiu colocação no Clube de Ténis mais frequentado pela élite colonial laurentina, como apanha-bolas.
Foi com o trabalho neste Clube que resolveu voltar a estudar, passando a frequentar o ensino nocturno, na Escola Comercial e Industrial de Lourenço Marques, onde ganhou gosto pelas artes quando teve como mestre o arquitecto Garizo do Carmo. Um dos membros do Clube que o viu fazer esboços exigidos pelo curso, ofereceu-lhe diverso material de pintura e ajudou-o a vender os seus primeiros trabalhos.
Augusto Cabral foi assim o seu "Mecenas" das artes, tal como o arquitecto Miranda Guedes (Pancho), que em 1960 lhe emprestou as instalações que lhe serviram de atelier como pintor profissional e lhe passou a comprar dois quadros mensais, logo após haver ingressado no Núcleo de Arte, no ano de 1958, onde recebeu o apoio do pintor Zé Júlio,que lhe permitiu participar na sua primeira exposição colectiva.
A primeira exposição individual foi efectuada no Banco Nacional Ultramarino, no ano de 1961, tinha o Artista 25 anos.
Em 1963 viu publicados alguns dos seus poemas no jornal ORFEU NEGRO, sendo incluído na Antologia da Poesia Moderna Africana. Foi por esta altura que se viu indiciado como sendo membro da FRELIMO, juntamente com os poeta Craveirinha e Rui Nogar, sendo então preso na Cadeia da Machava até que foi julgado e absolvido a 23 de Março de 1966, sendo novamente detido em 04 de Janeiro de 1971, para esclarecer o simbolismo do seu quadro "25 de Setembro", que havia sido exposto no Núcleo de Arte a que pertencia. Esta situação havia colocado em risco a sua bolsa de estudos de gravura e cerâmica, que lhe havia sido concedida pela Fundação Calouste Gulbenkian, mas tudo se resolveu.
Após a Independência de Moçambique, foi deputado em 1990, pela FRELIMO; em 1998 foi eleito para a Assembleia Municipal de Maputo, sendo reeleito em 2003. Participou em acções de alfabetização e na organização das aldeias comunais da província de Nampula. Foi um dos fundadores do Movimento Moçambicano para a Paz e pertenceu aos Artistas do Mundo contra o Apartheid.
Pode-se afirmar que Malangatana "retratou" a situação política do seu País, passando a sua obra a ser mais optimista após a Independência.
Faleceu no dia 05 de Janeiro de 2011, no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, naquele Portugal distante que ele muito amava, pois afirmou sempre: "...que homem teria eu sido se não fossem os brancos, que até eram portugueses, a apostar em mim e permitirem que eu fosse uma pessoa feliz com os meus 'bonecos'? Nunca tive nos portugueses nenhum inimigo, mas sim no sistema político implantado em Moçambique!"