sábado, 5 de fevereiro de 2011

GUERRA COLONIAL...

Entre o desfile dos Militares Portugueses em Lourenço Marques, ocorrido em 20 de Outubro de 1963, e a independência de Moçambique que veio a ser possibilitada pela Revolução do 25 de Abril acontecido em 1974, verificaram-se avanços e recuos, vitórias e derrotas, mortos e feridos, coragem e cobardia... e até histórias menos dignificantes a assombrar a passagem dos Portugueses pela África por onde andaram durante mais de 500 anos, talvez sem a afirmação que se esperaria viesse a verificar-se como exemplo de uma entrega total em benefício do bem estar dos autóctones que, bem ou mal, se chegaram a sentir cidadãos de um País que deu novos mundos ao mundo.
Por certo se acabaram por sentir abandonados pelo "seu" País, que os preferiu ver entregues aos braços daqueles que ontem eram o "inimigo"
Em Angola, no dia de ontem... e talvez até mais tarde, não sei se será assim ou não, aproveitou-se para recordar os "heróis" do 4 de Fevereiro, os tais que iniciaram a luta armada no território, ainda que a "história" nos diga que foi a UPA e não o MPLA a iniciar essa luta na Baixa do Cassange, e mesmo que essa data mítica seja data "talismã" para o MPLA, que a reivindica como sua em virtude de ser ela o mote para o eclodir da guerra em plenitude.
Muita discussão tem suscitado essa data, pois MPLA e UPA/FNLA não abrem mão da tal primazia e alguns dos participantes dos acontecimentos serem militantes nesses movimentos, a acção foi desencadeada à margem deles, pois foi iniciativa de uma direcção improvisada e por pressão de alguns cidadãos angolanos que estavam presos e haviam sido ameaçados de exílio noutras prisões portuguesas fora de Angola. É assim que mais de 70% dos participantes serem da região do Bengo, zona que se viria a tornar em território afecto ao MPLA.
A PIDE afirmou, em 1960, ter descoberto, em Catete, "uma organização do MPLA bastante perfeita e decidida a entrar em acção". Neste mesmo ano é preso Agostinho Neto, dirigente do MPLA, pelo que em Catete logo se organizou uma "enorme manifestação de solidariedade e desagravo", que veio a ser reprimida de forma violenta, com vários mortos e feridos.
O chefe geral do levantamento, Domingos Manuel Agostinho, disse por várias vezes e a vários participantes que tinha especial simpatia por Agostinho Neto e por outros membros do MPLA, o que leva a que este movimento possa considerar-se o iniciador da luta armada.
Não sei porquê, veio-me à memória o livro "POR QUEM OS SINOS DOBRAM"! Porque para os sinos dobrarem haverá um motivo muito importante, quiçá a morte de alguém "SOBRE QUEM PODER NÃO TEVE A MORTE", para citar o Poeta.
Entre esses, ponho em primeiro lugar os que se viram apanhados pela sanha assassina que colocou Angola a ferro e fogo! Foram gente que foi imolada como cordeiro de sacrifício, porque alguém não soube ou não quis ler os sinais dos tempos. A Baixa do Cassange deveria ter sido suficiente para se arrepiar caminho e evitar os trágicos anos da guerra, em que de parte a parte há a lamentar vítimas, pois nem todos os que "acompanhavam" os terroristas eram pessoas com eles conotadas.
Ajudemos os vivos a respeitar aqueles que partiram... cientes de que é tempo de fechar o grande livro em que se registam os prós e contras de uma guerra que jamais deveria ter ocorrido! É tempo de se construír a PAZ!!!

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