sábado, 13 de agosto de 2011

MOÇAMBIQUE... A VERDADE SABE-SE!


Revelações de Jaime Khamba ensombram história da FRELIMO e Mondlane 
Escrito por Rodrigues Luís - Jornal Savana  
Nos finais do ano de 2000, Fanuel Gideon Mahluza trouxe a lume informações até então desconhecidas contradizendo a versão oficial sobre a história da libertação nacional levada a cabo pelo partido no poder. Eis que cerca de três anos após surge dos Estados Unidos da América um Moçambicano, ex-combatente da luta armada, que corrobora  com Mahluza, e  avança  alguns detalhes.
 "A história da libertação Nacional tanto como a dos fundadores da FRELIMO não está a ser bem contada, pois o que se diz e está escrito nos livros didácticos não corresponde à verdade”, eis as palavras com que Jaime Maurício Khamba, ex-combatente da libertação Nacional, que actualmente  reside nos Estados Unidos da América (EUA), para onde foi há 40 anos,  abriu a conversa com o Savana. Segundo Khamba, a razão que o levou a contactar o nosso Jornal prende-se com o fornecimento de subsídios que possam esclarecer a história contemporânea, de modo a que os compatriotas a entendam. Adianta ainda que existe no País  multa gente que, embora conhecendo os factos, se refugia num silêncio cumpliscente.
Jaime Maurício Khamba, ou Ntema Ganda, como era conhecido no tempo de libertação nacional, jura a pés juntos que na formação da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) os nomes hoje mencionados como sendo os obreiros da unidade nacional não passam de uma invenção.
Para a nossa fonte, Eduardo Mondlane, 1º Presidente da FRELIMO, Samora Machel, primeiro Presidente de Moçambique independente e Joaquim Chissano, posterior chefe de Estado, são figuras apontadas pelo nosso interlocutor como sendo os grandes ausentes na formação da Frelimo.
Segundo Jaime Khamba, na actual historiografia moçambicana, nomes como os de Eduardo Mondlane, Samora Machel e muitas outras figuras na liderança da Frelimo são erradamente mencionadas como tendo participado na criação da FRELIMO. Todavia, "a verdade no meio desta mentira é que estas individualidades participaram activamente e contribuíram no sucesso da revolução que levou à queda do fascismo no nosso país".
Jaime khamba defende que a nova geração não deve ser refém das inverdades narradas em torno da história da Frelimo como uma frente, pois personalidades há que, embora no pleno gozo da vida, tem preferido a mudez como forma de omitir os factos em torno da formação da FRELIMO.
Marcelino dos Santos, Lopes Tembe Ndiomba, Abílio Araújo Matsinhe e muitos outros são mencionados pelo nosso interlocutor como sendo lendas vivas que deviam reescrever a história, pois conhecem-na muito bem, mas pela posição tomada no Governo eles não são capazes de contar uma vez que eles participaram na elaboração de mentiras.
Para aquele ex-combatente, é duro reparar como o Joaquim Alberto Chissano, Marcelino dos Santos, Pascoal Mocumbi, Lopes Tembe Ndelane, Constâncio Ndiomba e Dr. Joaquim Boaventura Verimbo têm ignorado o reconhecimento daqueles que formaram a Frelimo, uma vez estão a par da verdade sobre a fundação da FRELIMO.
Disse que a ideia de nascimento da FRELIMO surgiu numa fase em que os três movimentos, nomeadamente a União Africana Nacional de Moçambique (MANU), Associação Africana de Moçambique (MAA) - uma união dos Macondes criada em 1960 -, e a UDENAMO, viviam um momento de grande tensão1.
"Vivia-se uma tensão étnica no nosso seio por haver também um grande número de iletrados. Eu e Adelino Gwambe, também conhecido por Hlomulo, estudámos a forma de resolver a questão. Eu sugeri que juntássemos estas organizações para se formar uma só frente composta por 18 membros da comissão executiva a nível nacional", frisou Khamba.
O entrevistado disse ter igualmente proposto que, após a reunificação dos três movimentos, cada província deveria ter os seus representantes e que a chefia desta frente teria que ser distribuída por todas as regiões do país. Disse ainda que "propus que os oficiais que não escreviam e nem falavam a língua Portuguesa deveriam ser eleitos vice-presidentes ou deputados. Gwambe concordou com todas as minhas propostas, excluindo a de que o executivo deveria ser composto por 18 membros, alegadamente porque o número era elevado, o que facilitaria a infiltração da polícia política portuguesa (PIDE)".
O nome FRELIMO nasceu em Janeiro ou Março de 1962, em Accra, Ghana, durante uma conferência organizada pelo Dr. Nkwame Nkrumah, denominada "Conference of freedom fighters" ou seja conferência dos combatentes da liberdade 2. De acordo com o nosso interlocutor, o nome FRELIMO foi sugerido pelo Fanuel Gideon Mahluza, vice-Presidente da UDENAMO, onde foi acolhido por maioria absoluta numa assembleia na qual fizeram parte Adelino Xitofo Gwambe, Marcelino dos Santos, David José Mabunda (presentemente em Michigan, EUA).
Após a escolha do nome, submeteu-se à apreciação do Dr. Nkrumah, tendo por último sido remetido ao Peter Mbju Koinange que era Secretário-Geral do movimento Pan Africano do Este e da África Central.
Isto viria a culminar com a aprovação da denominação FRELIMO, após o que a mesma viria a ser anunciada em Accra e Dar Es Salam. "Durante este período não estava presente nenhum dos nomes que hoje se ouve falar serem fundadores da FRELIMO, incluindo Mondlane, Machel ou simplesmente membros que estão no actual Governo." - Continua

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