sexta-feira, 12 de abril de 2013

A INVASÃO CHINESA


 
 
Chineses desalojam 80 mil pessoas para projecto Wambao Agriculture

Maputo (Canalmoz) - O Governo de Moçambique concedeu 20.000 hectares de terra a uma empresa chinesa denominada “Wambao Agriculture”,para exploração de arroz durante um período de 50 anos.
Esta área corresponde a 22% do total da área irrigável do Baixo Limpopo, província de Gaza. Com esta concessão, cerca de 80 mil pessoas deverão abandonar as suas terras.
A empresa agora está a invadir as zonas de Hluvucaze, Languene e Gumbane que não faziam parte do projecto, e as populações dos cinco (5) bairros do posto administrativo de Chicumbane, ficaram sem terra para praticar agricultura e pastar os seus gados. Temem ainda que as ocupações prossigam para outras áreas das comunidades. Não há informação disponibilizada para as comunidades pelo Governo. As pessoas estão apenas a assistir as suas terras a serem ocupadas.
Empresa drena água salgada do rio Limpopo
De acordo com o mestre em Estudos de Desenvolvimento do Fórum de Organizações Nacionais de Gaza, FONGA, Anastácio Matavel, num futuro próximo haverá seca severa no Regadio do Baixo Limpopo. O especialista explicou que muitos dos grandes rios de Moçambique, tais como Limpopo, dos Elefantes, Incomáti, Save, Zambeze e outros estarão muito poluídos. “As pessoas não poderão beber essa água, até mesmo lavar as mãos nessas águas, elas serão infectadas. A única solução é contar com água de chuva e superficiais ou alimentadas por geleiras. Já morreram três cabeças de gado”, nas regiões ribeirinhas, disse Matável.
Segundo Matavel, as negociações realizadas com as autoridades e empresas para a entrega de terras foram criticadas pelas populações. Afirma-se que foram realizadas sem informações transparentes e verdadeiras sobre as implicações dos contratos.
As populações das zonas da implantação do projecto chinês não sabem o que acontecerá com o seu gado em termos de água para beber nem onde vão praticar agricultura. “Também existem pessoas com gado cujas pastagens foram afectadas mas que não se opõem ao projecto dos chineses. Só exigem um pagamento justo pelo uso da terra, obtendo assim um lucro adicional aos obtidos por suas actividades agrícolas. Isto tem causado conflitos dentro das comunidades: os que apoiam contra os que repudiam o megaprojecto dos chineses”, referiu o representante das ONGs da província de Gaza.
Matavel disse ainda que o projecto em implementação está escrito em chinês, vai ser traduzido em inglês e depois em português. Só mais tarde será conhecido pelas comunidades locais. “Estes receios foram manifestados pela população e funcionários das instituições do Estado que receiam um futuro de ânimos exacerbados”, disse.
No projecto vão trabalhar 1.000 chineses em diferentes etapas, este a ser implementado em 3 fases principais, sendo uma média de 6.667ha por ano, totalizando 20.000ha em 3 anos. A partir de 2016 vai operar a 100%. (Arcénia Nhacuahe)